Crítica ― Alien: Covenant

Uma nave colonizadora chamada Covenant desvia sua rota ao encontrar um planeta aparentemente habitável e inexplorado. Ao desembarcar, os tripulantes descobrem uma terra sombria e que guarda terríveis segredos e ameaças para seus visitantes.

Não há muito o que dizer de Alien: Covenant simplesmente porque Alien: Covenant é um filme que não tem muito o que dizer. Se Prometheus, filme da franquia que o antecedeu , errou pela incoerência e falta de bom senso no roteiro, sua sequência erra por não corrigir os problemas do filme anterior e pior, não acrescenta nada além de algumas explicações a respeito das origens do vilão do filme. Claro que em alguma medida isso satisfaz pela curiosidade, mas acaba sendo insuficiente para um filme em que se havia sido investido tanta expectativa, algo que por si só já ameaça uma avaliação justa: diga para um amigo que você assistiu ao melhor filme do ano e ele irá para o cinema esperando o melhor filme da década. Ou seja, o que é bom passará a ser apenas razoável simplesmente porque se esperava mais.

A partir desse raciocínio podemos até admitir que Alien: Covenant seja um filme aceitável para aqueles que não assistiram a nenhum filme da franquia, pois nele há elementos de ação e suspense (apesar de poucos) que satisfazem pela tensão. Em um desses momentos, quando a criatura faz seu primeiro ataque aos tripulantes desembarcados em meio a uma mata em um inicio de noite, é interessante notar como a iluminação foi trabalhada. Desde o primeiro filme, o Alien ataca em interiores e saindo das sombras. Para recriar essa mesma atmosfera em um campo aberto, o roteiro usa como pretexto um incêndio que gera uma iluminação âmbar revelando apenas de forma parcial o conflito. Isso permite que a criatura seja ora vista, ora omitida durante seus ataques de maneira bem conveniente à proposta de suspense da cena. Os lasers das armas acrescentam um aspecto pirotécnico à sequência em um show de brilho e luzes.

Também é possível comentar como ponto positivo a introdução do Alien ainda como criatura microscópica. Em uma sequência também presente no trailer (e acredite, o melhor do filme está praticamente todo no trailer), um deles pisa em um dos ovos que expande no ar o bicho como uma pequena poeira que migra flutuando até penetrar o ouvido da vitima e atinge sua corrente sanguínea em seguida para desconstruir seu DNA e usar o corpo humano como hospedeiro para se desenvolver no monstro em que se tornaria. Essa sequência se vale da coerência dos detalhes e usa sons diegéticos do ambiente selvagem para explorar o realismo e aumentar a tensão.

E é só. Pode ser que haja mais um ou outro fato relevante para ser comentado, mas se for o caso, o fato é que tudo aquilo que compromete o filme acaba por sufocar as boas surpresas.  Não há profundidade nos personagens, seus dilemas e motivações não convencem. Até a maneira alternativa como o filme lida com o assunto Inteligência Artificial tentando dominar a vida é pouco envolvente. Ainda em se tratando de personagens, o filme comete o mesmo erro que cometeu no terceiro filme da franquia , Alien 3, quando esperávamos ver outra vez dois personagens em quem investimos tanto no filme anterior: eles morrem logo no inicio. Aqui o problema é semelhante, pois personagens vivos no filme anterior, Prometheus, começam mortos esse filme. Isso desperdiça um trabalho anteriormente construído e ignora o envolvimento do espectador como apreciador não apenas de um filme, mas de toda uma franquia.

Por ter sido aquele que concebeu Alien – O 8º Passageiro, filme de ficção cientifica que revolucionou o gênero em sua época, os fãs da franquia comemoraram o fato da serie ter voltado para as mãos de Ridley Scott (o segundo e o terceiro filme foram dirigidos por James Cameron e David Fincher respectivamente, mas não foram tão bons quanto o primeiro). Talvez isso tenha causado tanta expectativa nos fãs e talvez isso tenha ajudado a prejudicar a experiência de assistir essas duas novas edições de uma franquia que ainda terá outras oportunidades de agradar. Esperamos apenas que na ocasião, o irregular Ridley Scott esteja em seus dias de Blade Runner e Gladiador.

Assista ao trailer do filme clicando aqui

rogerio.jr.noticiaurbana@gmail.com

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Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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