Crítica – Além da Morte

Escolhi o filme da semana pelo diretor. O dinamarquês Niels Arden Oplev  me surpreendeu com a versão sueca de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres  e também foi o diretor responsável pelo pontapé inicial da super premiada série Mr.  Robot ao dirigir o primeiro episódio. Por isso escolher seu último trabalho para comentar aqui hoje foi como decidir por uma das partidas de futebol sendo transmitidas no mesmo horário na TV usando como critério a habilidade dos jogadores de uma determinada equipe, sendo este o jogo com maior possibilidade de apresentar um bom espetáculo.  Mas digamos que, apesar de algumas emoções, o resultado desse jogo foi apertado como aquele 1×0 com gol de pênalti duvidoso.

Em Além da Morte, cinco estudantes médicos iniciam uma experiência para descobrir o que há depois da morte, esperando conseguir renome dentro da área. Ao parar seus corações por curtos períodos de tempo, eles disparam uma experiência de Quase-Morte, mas logo eles são forçados a confrontar os pecados de seus passados enquanto a investigação se torna perigosa e paranormal.  

Os atores até se esforçaram com uma firula aqui e outra ali, mas o roteiro tem uma mensagem simples, com reviravoltas frágeis.  Em apenas um aspecto o roteiro favorece a atuação ao apresentar, no primeiro ato e sem ansiedade, os traços mais marcantes da personalidade dos personagens e que, apesar de bem diferente um dos outros, acabou por motiva-los a tomar a mesma decisão: Jamie é um bon viant despreocupado que topa tudo; Sophia é insegura e ansiosa por bons resultados na universidade; Marlo  é competitiva e auto suficiente; Ray é cético e prático; e Courtney é líder e decidida. Cada um deles se envolverá no mesmo projeto por ambições coletivas e ao mesmo tempo individuais.

Depois de a experiência manipular suas emoções como um entorpecente (uma reunião na casa de Courtney após as experiências ilustra bem esse aspecto) os efeitos colaterais trazem perturbações desagradáveis logo a seguir e a relação tempo/espaço, vida/morte começa a confundir suas mentes.

O desfecho é pouco surpreendente. Alias, a surpresa é exatamente o desfecho ser tão econômico para um filme com a sinopse que tem e o segundo ato que apresentou. Seu desenvolvimento se garante na metáfora que ilustra o desejo por uma vida intensa daqueles que quase experimentaram a morte, e o clímax se garante na mensagem de que um movimento espiritual na fronteira entre a vida e a morte pode apenas reforçar a importância de um movimento de nossa consciência no tempo para cuidar de um passado mal resolvido e que precisa perdoar e ser perdoado.  E por mais que além da morte haja vida, apesar da morte a vida continua.

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Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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