Crítica — Baywacth

Desde que Friends terminou, os criadores da série resistem ao apelo dos fãs e da Warner para a produção de um filme justificando que, em outras palavras, a série já ofereceu o melhor que podia ao publico e que um reencontro dos personagens em suas circunstâncias atuais poderia esmaecer o encanto que a série conquistou em seus espectadores ao longo de dez temporadas.

Diferente de Friends, outras séries como Sex And The City e Arquivo X ganharam uma versão para o cinema depois de sua ultima temporada na TV. Enquanto a primeira foi um raro caso de sucesso neste tipo de adaptação, a segunda teve recepção mista ao agradar apenas parte da critica e de seu público.

É difícil julgar se o sucesso de uma adaptação como essa dependerá apenas do talento de quem a realiza ou se também é um caso de sorte ao acontecer em um momento especifico. Mas com certeza a decisão de permitir que o público revisite em uma sessão de cinema os personagens que foram consagrados em uma serie de TV depende de sensibilidade e bom senso. Trabalhando em uma indústria cada vez mais interessada (e quase sempre apenas interessada) no retorno financeiro, é preciso ter a coragem que os criadores de Friends tiveram ao decidir manter o show encerrado na series finale para respeitar a memória afetiva de seu público mesmo quando o que eles querem, entorpecidos por sua paixão, é uma tentativa arriscada.

Essa mesma coragem, sensibilidade e bom senso foi o que faltou para aqueles que decidiram reviver Baywacth no cinema (batizada no Brasil de S.O.S Malibu), série que descansava em paz depois de terminar em 2001 após 242 episódios exibidos desde 1989 e que quebrou recordes no Guinness por ter sido assistida por bilhões de espectadores em mais de 100 paises.

Os perigos enfrentados por uma equipe de salva-vidas de uma praia na Califórnia servia de sinopse — ou pretexto — para acontecerem os episódios pontuados do inicio ao fim por closes em curvas de beldades e corpos sarados correndo em câmera lenta na praia. David Hasselhoff e Pamela Anderson, os grandes astros da série, fazem uma ponta no filme já em cartaz nos cinemas e que traz como estrelas principais Zac Efron e o carismático Dwayne Johnson

Nessa repaginada que o filme dá no universo da série, há traficantes ameaçando a segurança da praia onde a equipe Baywatch trabalha. Se metendo onde não foi chamado, o grupo de salva-vidas liderado por Mitch(Johnson) tenta investigar as obscuras operações dos criminosos. Antes e durante essa perigosa missão, Matt (Efron), calouro no grupo e subestimado por Mitch, tenta provar que tem potencial para fazer parte da equipe.

Pontuando essa perigosa missão, o roteiro insere na narrativa inúmeras piadas. Enquanto algumas provocam o humor do público mesmo quando são extremamente apelativas, outras têm como reação um silêncio constrangedor— chega a ser inacreditável que o filme tente fazer piada com o fato de uma mulher acusar um homem de estar olhando para os seios dela. Se não fosse por Ronnie (Jon Bass) personagem Nerd que provoca os momentos mais engraçados do filme, muito pouco poderia ser aproveitado aqui.

Parecendo ser uma sátira de si mesmo, Baywacth, em vários momentos, me deu a sensação de estar assistindo a um filme do estilo Todo Mundo em Pânico e Corra Que a Policia Vem Ai, devido ao nível absurdo de algumas situações. É nítido que o filme não tem muitas ambições ao não se levar a serio e quer ser engraçado usando os recursos menos elaborados. Baywacth acontece sem esforços, se deixa levar e Irá divertir quem for ao cinema com o mesmo espírito.

O prejuízo maior pode ser para aqueles que foram fieis a série durante os doze anos em que foi exibida. Para esses, o filme pode ser um insulto a algo que está em sua memória afetiva, o que David Crane e Marta Kauffamn, criadores de Friends, tentam evitar ao preservar sua obra prima do jeito que está.

Uma crise criativa em Hollywood é uma teoria que já virou assunto nas Redes Sociais e portais de notícias sobre cinema. A indústria parece estar apostando apenas no que deu certo em outras décadas (ou no que ela acha que deu certo). São dezenas de remakes e series sendo adaptadas nos últimos anos.

Esse não é necessariamente um problema se o trabalho nas versões atualizadas agradarem tanto quando as originais.

Assista ao trailer do filme clicando aqui

Em cartaz31 Posts

Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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