Crítica — Carros 3

O terceiro filme da franquia Carros inverte a posição de Relâmpago McQueen, seu protagonista, não apenas nas pistas como também na vida: quando era um jovem e imbatível competidor, ele foi prepotente e vaidoso ao abrir mão de trabalhar em equipe e desrespeitar os mais experientes que estavam, na ocasião, em fim de carreira. Agora, passados onze anos do filme que apresentou o personagem e sua imaturidade (trabalhada pelos amigos que fez ao longo da jornada), é a vez dele descobrir o seu próprio fim de carreira através do desprezo de uma nova geração que voa nas pistas. Um grave acidente define o momento de fracasso na vida de Relâmpago e o inicio de uma corrida, agora fora das pistas, para se reinventar e recuperar seu status de melhor do mundo.

Mais uma vez o filme faz de um cenário desfavorável do protagonista o ponto de partida para explorar o valor da amizade. Ao se perder em um fim de mundo no primeiro capitulo da franquia, ele não apenas descobriu amigos que mudaram sua visão de mundo com a simplicidade de suas vidas, como encontrou Doc Hudson, uma lenda do automobilismo que se tornou seu mentor. No segundo filme, um ponto fora da curva por incluir espiões e conspirações em sua trama, as relações de amizade foram reforçadas. Neste terceiro momento da franquia todos esses personagens, tão importantes para a construção do universo de Relâmpago McQueen, são mais coadjuvantes do que nunca, um sacrifício que o roteiro precisou fazer para tornar mais nítidos os dilemas do protagonista e sua relação com Cruz, uma jovem treinadora que ele conheceu durante seu desafio e que está determinada e cheia de energia para recuperar o campeão.

Cruz e sua parceria com Relâmpago são fundamentais não só para a trama, mas também para situar o filme em um momento importante do Cinema, quando a figura da mulher anda acelerando nas pistas do reconhecimento. O espectador notará, da maneira sutil que o ritmo do filme proporciona, a importância da personagem crescendo à medida que a história avança. Ela, como treinadora, evocará nessa experiência a memória de Doc Hudson nas lembranças de Relâmpago, quando ele irá reconsiderar sua atuação em um esporte em que se tornou ícone ao longo dos anos. Cruz o conduzirá a observar o exemplo de seu mentor agora a partir de um diferente ponto de vista: o fracasso. Assim, ele experimenta uma dose de autoconhecimento e, como seu mestre, vence a frustração pelo fim da carreira contribuindo com a carreira de uma nova geração, não a que desdenha daqueles que tem um legado a deixar, mas aqueles que merecem pela nobreza de sua ambição.

Carros é, acima de tudo, uma advertência de que o tempo não para e que todo talento é posto a prova em algum momento.  Relâmpago precisou se adaptar a realidade que, irredutível, se impõe. Precisou criar alternativas e decidiu abrir portas para outros quando estava vendo as suas se fechando, o que para ele significou, de uma maneira indireta, ainda ter uma porta aberta e uma luz no fim do túnel.

Assista ao trailer do filme clicando aqui

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Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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