Crítica – Depois Daquela Montanha

Alex Martin é uma fotojornalista que precisa voltar para a cidade aonde irá se casar no dia seguinte, mas seu voo é cancelado devido às péssimas condições climáticas do lugar na ocasião da partida.  No mesmo avião viajaria Bem Bass, neurocirurgião que precisa atender um de seus pacientes o quanto antes. Notando que o médico tem a mesma urgência em viajar, Alex sugere que ambos dividam o custo de um voo particular e então procuram o piloto Walter em um Hangar do aeroporto. Eles partem (na companhia do cão labrador de Walter), mas durante a viagem o avião cai entre montanhas geladas, onde os sobreviventes aguardam por socorro enquanto enfrentam os perigos provocados pela adversidade do local.

Depois Daquela Montanha, título em português para The Mountain Between Us, é tão adequado para a narrativa do filme ao qual dá nome quanto o original. A sutileza está em o quão representa o significado ambíguo do filme, pois no que diz respeito a espaço, o que há após a montanha pode se referir a socorro ou morte; no que diz respeito a tempo, pode significar as possibilidades de um futuro irônico e imprevisível.

O filme é uma aventura de sobrevivência que relata os momentos angustiantes de um casal na companhia de um cachorro em busca pela sobrevivência. Aprecio a maneira econômica que o roteiro desenvolve o primeiro ato: os cortes rápidos condensam a introdução provocando saltos na história desde a cena de abertura com Alex entrando no aeroporto até o momento em que todos já estão no ar, quando enfim um plano sequência passeia a câmera dentro do avião mantendo um ritmo seguro, mas contendo a ansiedade pelo avanço da narrativa.  Não é coincidência o fato de que é nessa hora que os personagens têm, pela primeira vez, uma conversa informal. A decisão de montar a primeira parte dessa maneira transmite a superficialidade e frieza com que começam uma relação entre estranhos. Após a queda, uma nova série de cortes acelera não apenas o relógio, mas o calendário – em poucos minutos já se passaram dois dias, o que acabou por dar um tom documental a obra, algo também do tipo um diário de bordo audiovisual.

  Na sequência, o filme apresentou pra mim uma de suas poucas falhas, que foi o primeiro grande risco enfrentado pelos personagens após a queda. Mas a artificialidade da sequência não pode ser considerada um problema tão grave, pois o espectador irá notar que a ação do filme está longe de ser a intenção de produto final, mas apenas um recurso para construir o que há de mais importante no filme: a ligação entre os personagens principais. Nesse caso devo dizer que atuação deve ser considerada o elemento narrativo protagonista do filme enquanto os demais, apenas coadjuvantes. A presença do cachorro é um emblema de lealdade e amizade que reforça a mensagem de companheirismo e o aspecto familiar que o filme pretende passar ao longo de seus quase 120 minutos.

O final clichê é perdoável por rimar com os dilemas que pontuaram todo o filme. Quando eu já o condenava mentalmente, logo notei que se tratava de algo recorrente durante a trama apresentado por uma perspectiva diferente, mas não menos comovente.

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Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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