Crítica — Kingsman: O Círculo Dourado

Quem foi criança no fim da década de noventa talvez já tenha assistido a Inspetor Bugiganga, desenho exibido em muitas manhãs do SBT. Com milhares de dispositivos presos a seu corpo, tudo era possível para o inspetor em questão em sua jornada de combate ao crime.  Os agentes de Kingsman: O Círculo Dourado, são algo do tipo um inspetor Bugiganga em maiores proporções tecnológicas. A sequência de abertura, que conta com um duelo entre inimigos dentro de um super taxi em alta velocidade durante uma perseguição pelas ruas  de Londres, conta com acrobacias dos personagem em torno do veiculo em alta velocidade e termina quando, precisando se esconder de seus perseguidores, o carro se transforma em uma espécie de submarino, mergulhando em um lago da cidade sem deixar rastros. Era um aviso de que o filme não economizaria em disparates, como, por exemplo, recuperar totalmente alguém de um tiro na cabeça com uma, digamos, bugiganga elástica envolvida na testa.

É por isso que criticar os absurdos de um filme que os exibe com orgulho é que seria um grande absurdo e, se não ficar claro para o espectador se o filme pretende encaixá-los em suas intenções de fazer humor ou ação, sugiro que os aceite em qualquer lugar, pois é exigindo pouco deste filme que ele fará alguma diferença para quem o experimenta.

O Círculo Dourado é uma sequencia de Serviço Secreto (que não assisti), primeiro filme do que parece ter se tornado a franquia Kingsman. Neste novo capitulo os agentes, que usam como fachada uma alfaiataria, têm de enfrentar um ex-membro que agora se aliou a uma vilã pra lá de excêntrica, alguém que contamina  de maneira terminal usuários de drogas  ao redor do mundo para  negociar um antidoto que só será liberado se uma exigência sua for atendida pelo presidente dos Estados Unidos — aqui o filme não desperdiça a oportunidade de fazer uma critica, em seu filme de absurdos, a Trump, um presidente de atitudes absurdas.

As atuações são no mínimo divertidas e é impossível mencionar isso sem se lembrar da participação extravagante de Elton John no filme, que interpreta ele mesmo sequestrado pela vilã do filme. Mas talvez o formidável elenco não tenha sido bem aproveitado. Pense em Jeff Bridges, Helle Barry e Channing Tatum em papeis que poderiam ter encontrado mais espaço, principalmente em se tratando do último citado, que aparece em um ponto de virada que dava a impressão de alguém assumindo um lugar de destaque no filme, mas que acabou tendo sua atuação imobilizada pelo roteiro.

E por falar em pontos de virada, acho que os excessos acabaram por se tornar um problema para o filme e talvez seja exatamente nesse ponto que o filme prejudicou as atuações. um filme mais enxuto de reviravoltas talvez beneficiasse mais o trabalho desse grande elenco.

Macabro de uma maneira divertida (em uma cena em que um homem é triturado vivo não conseguimos ficar chocados, o que me lembra um momento de Fargo, dos irmãos Cohen), Kingsman é um filme cômico que se vende no trailer como ação de espionagem e surpreende com romance e um draminha de fundo (seus personagens — bons e maus — são motivados por questões familiares em quase todos os momentos). Um filme que atrai o público pela exuberância visual e seu elenco, e os fará retornar para um possível terceiro episódio  pela simpatia e simplicidade com que tratou a seriedade de seus assuntos.

Assista ao trailer clicando aqui

 

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