Crítica – Tempestade: Planeta em Fúria

Tempestade: Planeta em Fúria é um filme de catástrofe natural em que a natureza não é o vilão, como geralmente vemos em obras do gênero, mas apenas um contratempo dominado pela humanidade através de alta tecnologia empregada em uma estrutura em torno do planeta que garante a estabilidade climática. Assim, o roteiro coloca o homem como responsável direto pelos conflitos do filme quando alguém usa a solução que salvou vidas como arma de destruição em massa: uma sabotagem no sistema estrutural que controla o clima do planeta danifica satélites responsáveis pela segurança de pontos específicos do globo, causando a morte de milhares de pessoas por congelamento, aquecimento e tsunamis.  É assim que o filme converge os assuntos terrorismo, jogos de poder e mudanças climáticas em um único roteiro que ainda traz um dilema familiar como subtrama.  

Jake Lawson é o engenheiro que que coordenou a construção do Dutch Boy, rede de satélites que controla o clima do planeta. Após anos de dedicação, ele é afastado da função devido a questões políticas e, em seu lugar, é nomeado seu irmão caçula, Max. Anos mais tarde, quando a rede apresenta anomalias pontuais,  Jake é convocado para descobrir o que está acontecendo e, enviado para a estação internacional, desvenda uma imensa conspiração ao mesmo tempo em que precisa deixar para trás os atritos existentes com Max.

Uma das grandes sacadas do filme é fazer com que uma parceria improvável aconteça, pois além de desafetos os irmãos devem trabalhar em equipe estando um na terra e outro no espaço. Cada um tem a ajuda de mulheres que deixam aos poucos seu lugar coadjuvante no filme para serem decisivas como protagonistas. O vigor físico da agente Sarah e o talento intelectual de Dana como Expert em segurança cibernética auxilando Max em sua jornada são fundamentais para o desenrolar da trama, assim como a coragem de Ute Fassbinder como braço direito de Jake na correria da estação espacial.

Apostando muito mais na consistência de seu tema do que na forma como o apresenta, Tempestade: Planeta em Fúria acerta ao simbolizar a irresponsabilidade dos governantes no filme não apenas como negligentes que pouco se envolvem em conter o avanço das mudanças climáticas, mas como gananciosos a ponto de ignorarem a importância do que já foi feito pelo sucesso politico e financeiro.

Drama, ficção cientifica, ação e cenário político apresentados em um longa vendido apenas como filme catástrofe nos trailers.  Tempestade: Planeta em Fúria é um daqueles filmes vou assistir com a baixa expectativa que um gênero surrado provoca, mas saio com a esperança de que há sempre algo de criativo para ser feito em um tipo de história que já não conta nada de novo faz tempo.

 

Em cartaz39 Posts

Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

0 Comments

Leave a Comment

Login

Welcome! Login in to your account

Remember me Lost your password?

Don't have account. Register

Lost Password

Register

Likes