Crítica — Transformers 5: O Último Cavaleiro

A franquia Transformers tenta reescrever a história da humanidade desde o terceiro filme, quando o roteiro inventou que a missão espacial que levou o homem a lua tinha o objetivo secreto de explorar um equipamento de robótica alienígena descoberto pela NASA na superfície lunar. No filme seguinte eles envolveram os transformers na extinção dos dinossauros e, agora, a franquia quer nos convencer de que as batalhas medievais tinham transformers lutando ao lado de cada um dos cavaleiros da távola redonda além de, juro, os robôs gigantes também terem decidido a Segunda Guerra mundial quando um relógio trasnformer assassinou Hitler. E sabe por que ninguém sabia disso tudo até hoje? Porque os transformers sempre foram um segredo muito bem guardado por sociedades secretas — até Shakespeare sabia a respeito deles e não contou a ninguém.

E se você está se perguntando como tudo isso pode ser associado de uma maneira coerente à narrativa, eu afirmo que nada pode ser associado de uma maneira coerente à narrativa de qualquer filme da franquia Transformers. O atual filme parece fazer questão de confundir o espectador o tempo todo como se quisesse concentrá-lo apenas nas cenas de ação cheias de explosão, correria, tiros e gritaria. O roteiro dá um mínimo de explicação a respeito do que se trata o filme em cenas econômicas — Durante dez minutos do segundo ato do filme acontece uma sequência que intercala um contato entre dois personagens conversando a respeito da revelação de um livro contendo informações importantes para historia, e cenas de perseguição com cortes rápidos que permitem planos de no máximo três segundos em tela cada um.  Ou seja, o filme é inquieto e isso poderia até ser um elogio, já que se trata de um filme de ação, mas o fato é que esse ritmo é apenas uma desculpa para despejar rapidamente sobre o espectador um filme sem pé nem cabeça.

Nada contra um filme que oferece muito mais ação do que reflexão ao espectador (meu gênero favorito é Thriller de espionagem, que apesar de oferecer alguma reflexão é também repleto de ação), mas poluir a sessão com um caos visual injustificável é, no mínimo, um descaso com quem procura alguma lógica no filme. E lógica definitivamente não é o forte dessa franquia, que mata e ressuscita personagens a torto e direto, além de não se incomodar em mudar o enredo central, que permanece sempre o mesmo de um filme para o outro. A sinopse, por exemplo, é praticamente usada como uma fórmula para todos os filmes da franquia: trasnformers heróis estão atrás de um objeto que transformers vilões também querem, sendo que um quer encontrar para salvar o mundo e outro, para destruir. Simples assim.

No inicio dessa jornada de busca somos apresentados a Izabella, uma órfã que quando surge em cena promete ao espectador ser a grande personagem do filme, mas é suprimida em grande parte da projeção, aparecendo apenas no fim sem qualquer utilidade.  E por falar em personagens, a quantidade excessiva fica óbvia quando descobrimos que Simon (único personagem humano presente em todos os filmes da franquia) agora mora em Cuba e está no filme apenas para fazer uma ligação e sumir depois. Do outro lado da linha nesta ligação está o personagem de Antony Hopkins, e é aqui que sinto o grande contraste do filme não apenas em termos de qualidade, mas também de realidade, pois é curioso demais ver alguém do tamanho deste ator em um filme tão medíocre. De qualquer maneira, sua presença em Transformers é uma prova de que nem um gênio da atuação pode salvar um filme com um péssimo roteiro.

O ineficiente e sempre presente alivio cômico da franquia está de volta nesta quinta edição e até que funciona em um momento quando um robô com características humanas (um C-3 PO piorado) brinca com a trilha sonora. Logo ele se torna inconveniente como tudo aquilo que tenta ser engraçado no filme, mas pelo menos ficamos gratos pela ausência, mais uma vez, dos pais de Sam Witwick e as patéticas tentativas do roteiro de usá-los para fazer graça.

Uma franquia incansável. Assim é Transformers, que já tem um sexto filme planejado. Um filme cansativo. Assim é Transformers 5: O Último Cavaleiro, que usa seus 150 minutos para mergulhar em absurdos sem limites o espectador que decidiu, literalmente, pagar pra ver como seria desta vez.

Assista ao trailer do filme clicando aqui

 

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Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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