Sem trégua, paralisação dos policiais no Espirito Santo chega ao quinto dia

A crise de Segurança Pública, em decorrência da paralisação do patrulhamento pela Polícia Militar só aumenta e chega nesta quarta-feira (8) ao quinto dia sem previsão de desfecho. Já foram registradas 87 mortes. Escolas e faculdades estão fechadas, postos de saúde e prefeituras não terão atendimento. Alguns bancos e shoppings também não estão em funcionamento. Uma solução rápida é improvável, pois o confronto entre oficiais da PM e representantes do governo estadual se intensifica, com acusações dos comandantes e ameaças de insubordinação da tropa.

De acordo com o presidente do Sindirodoviários do Espírito Santo, Edson Bastos, os ônibus não circularão na Grande Vitória, nesta quarta-feira. Em post publicado na noite desta terça-feira em seu Facebook, ele esclarece que após autorizar que parte da frota circulasse pela região, motoristas de ônibus ficaram expostos à violência que assusta o estado e, por isso, não vão tirar os carros da garagem. Segundo Edson, membros da categoria tiveram armas apontadas para cabeça e sofreram assaltos.

As autoridades do estado promoveram uma ofensiva ontem contra a paralisação. O secretário de Segurança, André Garcia, classificou como “chantagem” e “teatro” o movimento liderado por mulheres dos oficiais, que bloqueiam as entradas dos batalhões.

– O movimento que vem sendo realizado é irresponsável. Tem apostado no caos para tentar, colocando a sociedade de joelhos, pressionar o governo. São cenas revoltantes e ridículas. O movimento não quer conversar. Quem acha que rompemos o diálogo está enganado – disse o secretário.

Policiais ligados às quatro associações de PMs e Bombeiros do estado negaram que integrantes dos batalhões de Vila Velha e São Mateus tenham voltado às ruas. As declarações do secretário de Segurança foram recebidas como fim de linha para uma negociação com o governo. E oficiais das associações dizem ainda que os policiais estão dispostos inclusive a serem presos em função do descumprimento da decisão da Justiça. Eles argumentam que não estão no comando do movimento que deixou as ruas sem policiamento e, portanto, a decisão não faz sentido. Os policiais negam estar em greve, o que é proibido pela legislação militar.

– Esta declaração do secretário é absurda, de quem não quer conversar. A categoria luta por melhores salários há mais de um ano. Agora, este movimento não é, e não é mesmo, oriundo das nossas associações. É um movimento das mulheres de policiais, que inclusive rechaçam nossas associações nos debates com o governo – diz o capitão Elizandro, da Associação de Oficiais da PM do Espírito Santo.

O governo capixaba não acredita que a paralisação seja fruto do bloqueio dos batalhões, sem anuência dos oficiais com suas mulheres, em relação a essa atitude que o secretário de Segurança se referiu como “teatro”. Na última segunda-feira (6), ele demitiu o comandante-geral da PM que havia sido empossado 21 dias antes. O novo comandante, Nylton Rodrigues, assumiu com uma dupla missão: dar fim à paralisação e comandar uma investigação que produza provas de que policiais estão por trás do movimento que parou o estado.

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