Leia a carta de conscientização sobre a luta antimanicomial em Campos

Caros leitores,

Nesta semana, venho  compartilhar com vocês  um assunto que é extremamente relevante e que interessa a cada um que tem a consciência da importância do ser humano e da sua inserção na sociedade como cidadão e que deve ter os direitos igualitários preservados. Já participei de vários movimentos de conscientização sobre a luta antimanicomial, pois,  a profissão que escolhi e estágios no campo de saúde mental, me proporcionaram conhecer este campo tão incompreendido por muitos e desconhecido por diversas pessoas . Os profissionais de saúde mental em Campos divulgaram uma carta aberta para meios de comunicação com objetivo de conscientizar a população sobre a luta antimanicomial no município.

Conversando com Tânia Terra, matriciadora da saúde mental, resolvi trazer pra você, leitor desta coluna, a carta divulgada por estes profissionais engajados e que militam cada dia para que pessoas que sofrem de doenças mentais e seus familiares sejam assistidos e se livrem do peso da exclusão.

Pessoas que sofrem com algum problema psiquiátrico tendem a ser excluídas da sociedade. “Nosso principal objetivo é alertar a população sobre a doença mental e mostrar que o paciente que  sofre com a doença, não precisa necessariamente ficar longe da sociedade e internada em um leito psiquiátrico” diz Tania Terra.

LEIA NA ÍNTEGRA A CARTA

Há muitos anos, os portadores de transtornos mentais, principalmente os tidos como “loucos”, vêm sofrendo um tratamento excludente e, até cerca de 15 anos atrás, preferencialmente hospitalar, em internações quase sempre longas e , por vezes, durando até a morte.

Familiares, usuários e profissionais de saúde, nos anos 70 e 80 – em grande parte dos países, principalmente os mais desenvolvidos – se insurgiram contra esta situação, procurando estruturar um novo modelo mais digno e humanizado, respeitador das diferenças. “Dentre os diversos atores, merece destaque, no Brasil, o Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) em suas variadas formas de expressão que cunharam o “mote” Por Uma Sociedade Sem Manicômios” como “utopia ativa” na época e que vem sendo ratificada.

A Reforma Psiquiátrica avança em sua institucionalização enquanto política pública do Ministério da Saúde, Secretarias de Estado de Saúde e Secretarias Municipais.

Esta nova forma de tratar deve, sempre que possível, conservar o sujeito adoecido junto a seus familiares, sua comunidade, às suas referências no mundo, como sujeito de direito à vida, à liberdade, à saúde, à moradia, etc.

A este novo modelo de atendimento às pessoas em sofrimento psíquico, Campos  responde, embasado em LEIS E DIRETRIZES do Ministério da Saúde,  com a criação e ampliação de  vários Serviços Substitutivos aos manicômios e hospitais psiquiátricos, dentro de uma nova concepção de SAÚDE MENTAL . Nestes Serviços, equipes multidisciplinares, com profissionais de diversas formações e saberes se debruçam sobre esse sujeito para tentar dar conta de um problema que é muito complexo e envolve não só ele (o sujeito), mas sua família, escola, trabalho, serviços de saúde, de assistência, jurídicos, etc.

Nossa cidade vem seguindo a evolução mundial e a luta persiste por esses 30 anos,  investindo nesses  SERVIÇOS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL , ampliando a Rede de Saúde Mental e , como consequência de uma menor necessidade de internar , os leitos nos hospitais psiquiátricos em Campos ( temos dois: Hospital João Viana e Hospital Henrique Roxo) vão sendo paulatinamente descredenciado, por um esforço conjunto de usuários, familiares, profissionais de saúde mental e de tantas outros setores da sociedade.

Neste ano estamos vivendo um marco da Atenção Psicossocial, onde testemunhamos uma redução considerável do número de pessoas internadas em Hospitais Psiquiátricos, contando com um trabalho responsável e comprometido da Rede de Saúde Mental e outros atores sociais, com a oferta de um cuidado mais integral e plural, do que apenas a internação.

Vivemos um momento de conquista de  legitimidade e reconhecimento da Saúde Mental como Política Pública Municipal de Saúde.

Infelizmente, subsiste ainda em boa parte da sociedade um receio de conviver com essas pessoas, associando sempre os transtornos mentais à agressividade e ao perigo, o que não se confirma na atualidade, devido à melhor compreensão e manejo da crise e do sofrimento psíquico, aos novos recursos terapêuticos e, inclusive, às novas drogas psicotrópicas.

Este receio (medo?) toma, às vezes, um caráter de preconceito.  Por exemplo, estas pessoas são recusadas, muitas vezes, em nossos estabelecimentos de saúde, quando necessitam tratamento de um problema clínico qualquer.

A população de Campos está sendo convocada por nós a conhecer e reconhecer o enorme e produtivo trabalho que viemos construindo – com muita luta, esforço, empenho, criatividade – para darmos condições mais dignas de vida e tratamento para esses usuários, respeitando os princípios técnicos que vigoram no cenário nacional e internacional, assim como as LEIS que determinam essa (re) construção coletiva.

Esperando contar com o apoio da sociedade campista, para “ousar um possível sonho de liberdade e inclusão social” (Paulo Amarante), subscrevemo-nos:

Profissionais de Saúde Mental de Campos dos Goytacazes

Assista também o vídeo que conta história de Nise da Silveira uma médica psiquiátrica que foi uma revolucionária com sua proposta de tratamento de pacientes psiquiátricos através da terapia ocupacional.

Black e Cia Chagas27 Posts

Cida Chagas é professora de educação infantil, graduanda em Psicologia e idealizadora e coordenadora do projeto Roda de Conversa Arte e Prosa. É responsável também do projeto Black e Cia. Apaixonada por escrita, inclusive poesias, versos e frases, ela possui uma página para esses momentos de inspiração.

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