Não somos porcos nem relaxados

Somos todos trançados!!!!!

Meus leitores, que bom saber que vocês tem lido esta coluna e curtido. Esse feedback nos permite trazer coisas bacanas para vocês.

Bem, hoje venho publicamente revelar minha opinião sobre um episódio que aconteceu há aproximadamente um mês atrás.

Escrevi uma coluna sobre tranças e sobre o trabalho de um excelente trancista da cidade. Em um dos perfis deste jornal no Facebook, uma senhora branca e preconceituosa se referiu ao penteados com tranças , como sendo “ninho de passarinho” e ainda disse em seus comentários que “usar tranças é  coisa de gente porca e relaxada”.

Seria inadmissível eu deixar passar este episódio sem manifestar a indignação que senti por tal atitude preconceituosa, racismo velado e uma falta de respeito a escolha do outro.

O ato de trançar os cabelos, transmite  valores culturais entre as gerações, haja vista que se transmite isso de mãe para filho, de pai para filha, como foi no caso da história que contei anteriormente. As tranças têm muita a ver com a cultura , com a etnia , com a identidade e inúmeros valores agregados a apreciação de estilos. São expressões nítidas da arte de quem faz, e uma sobrevivência nítida da cultura herdada pela tradição africana e que não só representa questões de resistência bem como na época da escravidão serviam para transmitir mensagens.

 Na década de 70  e 80, em  alguns países, os negros afrodescendentes se abriram a movimentos hippies e outros que possibilitaram uma diversidade de culturas e o  black powers tranças, dreadslooks se tornaram elementos de protesto de várias marchas e movimentos. No Brasil, estes penteados marcaram e marcam até hoje uma manifestação contra opressão, contra o preconceito e exclusão. Nas classes mais desfavorecidas e pobres, as tranças também são usadas, e  em movimentos do hip hop por exemplo, os jovens usam  buscando integração, socialização e até ressocialização.

Venho, oficialmente, neste texto deixar bem claro que sou parte de uma geração que não vai se calar diante do racismo e preconceito gritantes, ou velados , e que medidas severas sejam tomadas contra todos quanto atacam, insultam ou oprimem um povo que representa em tantas aspectos seus ancestrais e que lutam dia e noite por direitos de igualdade.

A liberdade outrora , delegada historicamente e com tantos interesses políticos por trás, deixam bem claro que a luta continua e o empoderamento negro vai ser legado para muitas gerações por vir. Tem muito a se fazer  ainda!

                                     Foto: Alex Souza

Black e Cia Chagas27 Posts

Cida Chagas é professora de educação infantil, graduanda em Psicologia e idealizadora e coordenadora do projeto Roda de Conversa Arte e Prosa. É responsável também do projeto Black e Cia. Apaixonada por escrita, inclusive poesias, versos e frases, ela possui uma página para esses momentos de inspiração.

0 Comments

Leave a Comment

Login

Welcome! Login in to your account

Remember me Lost your password?

Don't have account. Register

Lost Password

Register

Likes