Em um movimento estratégico para sua sobrevivência política, Cláudio Castro (PL) renunciou oficialmente ao cargo de governador do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23). O anúncio, realizado durante uma cerimônia no Palácio Guanabara, ocorre exatamente um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível por oito anos.
Durante seu discurso de despedida, Castro afirmou que deixa o comando do estado “de cabeça erguida” e com o sentimento de dever cumprido. Ele justificou a saída antecipada como necessária para cumprir o prazo de desincompatibilização eleitoral, confirmando que é pré-candidato ao Senado nas eleições de outubro de 2026.
No entanto, nos bastidores políticos e jurídicos, a renúncia é vista como uma tentativa de esvaziar o julgamento do TSE. Ao deixar o cargo voluntariamente, a defesa espera que o pedido de cassação de mandato perca o objeto, embora a ameaça de inelegibilidade ainda permaneça real.
O processo em questão investiga abuso de poder político e econômico, além de uso indevido de verbas públicas em programas sociais (como o caso Ceperj) durante a campanha de 2022.
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Placar Atual: O julgamento está em 2 a 0 pela condenação (votos da relatora Isabel Gallotti e do ministro Antonio Carlos Ferreira).
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Retomada: A sessão será reiniciada nesta terça-feira (24), após ter sido suspensa por um pedido de vista do ministro Nunes Marques.
Quem assume o Governo?
A saída de Castro cria uma situação atípica no Rio de Janeiro. Como o estado não possui um vice-governador — Thiago Pampolha deixou o cargo anteriormente para assumir uma vaga no Tribunal de Contas — a linha sucessória foi alterada:
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Interinidade: O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), assume o governo de forma interina imediatamente.
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Eleição Indireta: A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) deverá convocar uma eleição indireta em até 30 dias para escolher quem governará o estado até o fim de 2026.
Reações Políticas
A oposição reagiu duramente. O prefeito do Rio e pré-candidato ao governo, Eduardo Paes (PSD), classificou a renúncia como uma “chicana” e uma tentativa de fugir da justiça. Por outro lado, aliados de Castro defendem que a transição é um passo legítimo para que ele dispute as próximas eleições, onde aparece como favorito nas pesquisas para o Senado.









