A memória e a herança política do ex-prefeito e ex-deputado federal Arnaldo Vianna, falecido em janeiro deste ano, tornaram-se o pivô de um embate direto entre dois grupos na disputa por uma vaga na Câmara Federal em Campos dos Goytacazes. O confronto coloca em lados opostos o próprio filho do falecido líder, o deputado federal Caio Vianna (PSDB), que busca a reeleição, e uma aliança recente selada entre a viúva de Arnaldo, Edilene Vianna, e o ex-prefeito Wladimir Garotinho.
Na busca por manter sua cadeira em Brasília, Caio Vianna tem utilizado suas peças publicitárias e redes sociais para resgatar o carisma e os feitos de Arnaldo, apresentando o pai como sua maior inspiração e referência de compromisso com a população campista. No entanto, essa estratégia gerou forte reação por parte de Edilene Vianna. Em posicionamento público, a viúva declarou apoio a Wladimir Garotinho, citando um gesto de gratidão e acolhimento recebido dele durante o período em que Arnaldo mais precisou de amparo. Além do apoio formal ao adversário do enteado, Edilene cobrou que cese o uso de arquivos, imagens e da voz de Arnaldo em propagandas políticas atuais, afirmando que nenhum candidato tem o direito de se apropriar da história do falecido e que seu legado deve ser respeitado.
O cenário reflete reviravoltas antigas na política do município. Arnaldo Vianna iniciou sua carreira legislativa nos anos 1990 e chegou à Prefeitura de Campos em 1998 ao assumir o posto de vice no mandato de Anthony Garotinho, quando o titular renunciou para concorrer ao governo estadual. Reeleito no ano 2000 com expressiva votação, Arnaldo rompeu posteriormente com o clã Garotinho e construiu caminho próprio até ser eleito deputado federal em 2006.
A atual corrida para o Congresso reativa esse histórico de antagonismo. Caio Vianna — filho do primeiro casamento de Arnaldo com Ilsan Santos — e Wladimir Garotinho travam há anos disputas diretas, a exemplo dos embates municipais de 2016 e 2020. Embora tenham mantido uma breve aproximação institucional no governo municipal, a aliança se desfez e ambos agora travam um novo duelo pelas urnas e pela representatividade de Campos em Brasília.








