Por Luciano Gomes do Couto
Talvez o resultado da eleição seja exatamente o que você queria. Talvez seja tudo o que você não queria. Eu confesso: eu não gostei do resultado.
Mas hoje eu não quero falar de quem ganhou nem de quem perdeu. Quero falar de você.
Porque tem uma coisa que me preocupa mais do que qualquer resultado: ver gente boa, trabalhadora, entregando o controle da própria vida a quem acabou de entrar, ou a quem acabou de sair. Eu não me importo com a sua ação em relação a este ou àquele governo. Me importo com você deixar isso te controlar.
Uma mensagem para mandar para você mesmo
Pegue o celular agora. Abra uma conversa com você e escreva isto:
Esse foi o meu último ano de dificuldades. No ano que vem eu vou estar com a minha casa, o meu carro e vivendo em paz.
Mande. Se você acredita, mande.
Agora a parte que quase ninguém conta: acreditar não basta. A frase só vira verdade se você começar a fazer alguma coisa, e começar hoje. O resto deste texto é sobre o que fazer.
Quem está lá não é responsável pela sua vida
Repita comigo: quem ganhou a eleição não paga as suas contas. Quem perdeu também não. Não vai trazer o seu cliente, não vai levantar o seu salário, não vai criar a sua oportunidade, e não vai ficar com você quando a noite for difícil.
Se a sua cidade está ruim, o governo da sua cidade não está dando conta, e tudo o que você tentou não funcionou, saia da cidade. Você não tem compromisso com a cidade. Você tem compromisso com você e com a sua família. Se for preciso sair do estado, saia. Se for preciso sair do país, saia.
Eu não estou dizendo que você tenha que ir embora. Eu amo Campos, acredito nela, e escrevi aqui que o campista pode mudar a cidade. Estou dizendo que a cidade não pode ser a sua prisão. Quem constrói uma vida que pode ir para qualquer lugar fica livre para escolher ficar. Quem não construiu fica por falta de saída, e isso é diferente.
Então trabalhe para ter soluções. Se algo grave acontecer na sua cidade, no seu estado ou no seu país, você precisa poder sair. E, melhor ainda, nunca mais precisar de um governo, de um padrinho ou de ninguém para colocar o prato na sua mesa.
O muro está mais baixo do que você pensa
Eu sei, não é fácil. Mas o mundo ficou pequeno. Você tem celular, internet, acesso a gente do outro lado do planeta e a ferramentas que há dez anos custavam milhões. E o outro lado da moeda é este: tem gente com necessidade, de coisas pequenas e de coisas grandes. Onde tem necessidade, tem espaço para quem resolve.
Comece pequeno e comece agora:
- Venda o seu brownie. Faça o frango assado e venda no domingo.
- Faça uma instalação, um conserto, um serviço que você sabe fazer.
- Pegue roupas para revender.
- Aprenda a vender online, no WhatsApp, no Instagram, num marketplace.
- Use o YouTube para estudar de verdade, com caderno, não só para passar o tempo.
- Faça um curso de inteligência artificial. Existem cursos gratuitos em plataformas conhecidas, procure e confira a procedência antes de se inscrever.
Eu escrevi aqui sobre os donos da calçada, gente que fatura sem placa na porta e sem pedir licença a ninguém. Eles não esperaram. Você também não precisa esperar.
Brigue, mas brigue por você
Saia das discussões do TikTok, do YouTube, do grupo da família. Não é omissão, é escolha de energia. Tem gente que gasta a madrugada brigando por político e acorda sem dinheiro, sem plano e sem paz.
Brigue pela sua vida. Brigue pela sua carreira. Brigue para que a sua conta tenha mais dinheiro no fim do mês, para ter uma reserva que aguente um tempo ruim e, se fizer sentido para você, ter parte dela fora do país, dentro da lei e declarada, conversando com um contador. Brigue para que a sua vida não dependa do resultado de terceiros.
Eu não prometo que você vai ficar rico. Ninguém pode prometer isso. Prometo só que quem começa hoje está muito mais longe de ser refém do que quem espera para ver no que dá.
O voto que decide a sua vida
Tem gente que diz: “O meu voto não faz diferença.” Na urna, muitas vezes é verdade. Para mudar um país, o seu voto depende de milhões de outros votos.
Mas existe um voto que depende só de você, e ele decide a sua vida. É o voto que você dá em você todo dia: acordar, estudar, vender, guardar, tentar de novo. Esse ninguém tira e nenhuma apuração muda. Aqui você só pode escolher por você, e essa é a parte boa.
Daqui a um ano
Daqui a um ano, essa eleição vai ser assunto velho. O resultado vai ser outro, e a briga também. A pergunta que vai restar é bem mais simples: como está a sua casa, como está a sua conta, como está a sua paz?
Então volte ao celular. Releia a mensagem que você mandou para você. Ela é um compromisso, e o único que não depende de ninguém além de você.
Agora é com você
Conte nos comentários qual é a primeira coisa que você vai começar esta semana, uma só, pequena que seja. Não precisa dizer em quem votou. Eu leio todas, e vou juntar as respostas numa próxima coluna.
E se você ainda estiver em dúvida, escreva só isto: “Esse foi o meu último ano de dificuldades.”
Pegou?









