Os tempos de governo de D. Pedro I foram marcados por guerras e agitações políticas que fizeram o Imperador renunciar ao trono em favor de seu filho, D. Pedro de Alcântara (D. Pedro II), uma criança de apenas 5 anos. Logicamente, D. Pedro II não tinha condições de liderar uma nação nesta idade. O governo imperial passou para as mãos dos parlamentares que elegiam os regentes do estado, até que o imperador completasse 15 anos.
A CRISE DA REGÊNCIA E A INFÂNCIA DO IMPERADOR (1831–1840).
Durante o período da regência, o imperador vivia trancado no Palácio de São Cristóvão. Naquele palácio, passou a viver rodeado de tutores, padres e professores das mais variadas disciplinas, sem ter contato com o que acontecia no Brasil, que naquela altura sofria com as revoltas de caráter separatista que assolavam o jovem país. Dessa maneira, o imperador receberia uma educação implacável, livre de interferências externas. O isolamento e as aulas particulares fizeram com que o imperador se tornasse um jovem erudito, conhecedor de várias ciências e línguas, descrito por muitos biógrafos como uma criança sensível e caridosa. Além disso, a nação tinha conhecimento do progresso educacional do jovem imperador através dos relatórios que eram publicados e lidos nas casas legislativas. Em contrapartida, a morte de sua mãe (D. Maria Leopoldina da Áustria) quando este ainda era um bebê e a renúncia de seu pai deixaram marcas na infância do menino, que logo fora preparado às pressas para substituir o pai, o menino era conhecido como o “órfão da nação”.
Devido ao agravamento da crise no Brasil, o povo e os parlamentares decidiram antecipar a maioridade do menino, que assumiu o trono aos 15 anos, num episódio que ficou conhecido como o “Golpe da Maioridade”.
A VISITA DO IMPERADOR A CAMPOS DOS GOYTACAZES.
Alguns anos depois, ao assumir o trono e se casar com a princesa D. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, D. Pedro II decidiu, com o dinheiro de seu próprio bolso somado aos empréstimos particulares que realizava com banqueiros londrinos, realizar uma viagem pelas Províncias (Estados) do Brasil. As províncias do sul foram as primeiras escolhidas pelo imperador, o principal objetivo do imperador era se aproximar do povo gaúcho e conter as revoltas separatistas.
Após retornar do sul e também visitar São Paulo, de fevereiro a abril de 1847, o imperador passou pelos campos fluminenses. São João da Barra, Macaé, São Fidélis e Campos foram os locais onde o Imperador passou em sua primeira visita. Estes locais haviam se enriquecido com a cana-de-açúcar e tinham muitas novidades para apresentar ao jovem imperador.
Segundo o historiador Hervé Salgado em sua obra “Campos na Taba dos Goytacazes”, a Câmara Municipal, ao tomar conhecimento da visita do imperador, tomou providências para a realização das festividades ainda em outubro de 1846.
Na noite de 24 de março de 1847, o Imperador chega a Campos e se recolhe na Fazenda do Beco (atual Asilo do Carmo). Na manhã do dia seguinte, o jovem imperador se apresentou para a cidade, onde meses antes algumas melhorias nas ruas e nas praças foram feitas para recebê-lo.
O monarca foi recebido com grande entusiasmo pela população, que pôde ver de perto e pela primeira vez a realeza na planície. Logo ao chegar no centro da cidade, o imperador foi recebido pela Guarda Nacional na Igreja de São Francisco, e recebeu em caráter simbólico das mãos de José Martins Pinheiro (futuro Barão da Lagoa Dourada) as chaves do município. Ainda em sua estadia na cidade, o imperador assistiu a peças teatrais, inaugurou engenhos e vistoriou as obras do Canal Campos-Macaé (Beira Valão).
Hervé Salgado também afirma que o imperador foi pessoalmente visitar a Santa Casa de Misericórdia (que existia ao lado da Praça S. Salvador) onde deixou um donativo de cinco contos de réis, em moedas de ouro e prata, além de distribuir para cada doente 4 mil réis.
O IMPERADOR DANÇARINO
Enquanto esteve em Campos, D. Pedro II foi convidado para participar de diversos bailes na região, e segundo o biógrafo Paulo Rezzutti em sua obra “D. Pedro II — A história não contada”, o imperador informou a sua esposa Teresa Cristina por cartas que, na Fazenda do Beco, ele dançou diversas quadrilhas até perto das 3 horas da madrugada.
A Fazenda do Beco era de propriedade de Joaquim Pinto Neto dos Reis, Barão de Carapebus, e por lá o Imperador ficou hospedado enquanto esteve na cidade. O entusiasmo de D. Pedro II pela dança foi tanto que ficou vivo na memória do povo campista. Essas ações do Imperador não escaparam dos registros de Alberto Lamego.
Diz Lamego: — “O ardor com que se dava Pedro II à dança e que lhe
causou um pequeno acidente”. E conta que, num baile que lhe oferecia José Saldanha
da Gama, na mansão de sua sogra, d. Ana Bernardina Barroso, Pedro II escorregou
e caiu.
Vale também registrar nessa passagem que José de Saldanha da Gama fora o pai do almirante Luís Filipe de Saldanha da Gama, e provavelmente este baile pode ter ocorrido no Colégio Jesuíta de São Bento, que no passado também foi residência da Família Saldanha da Gama.
Além disso, em Guarus, durante uma inauguração de um engenho de açúcar, o imperador foi visto dançando com a Viscondessa de Santa Rita.
No dia 11 de abril, após ter visitado Atafona e descansado no Solar dos Airizes, o imperador foi visitar São Fidélis, e após retornar a Campos, seguiu de volta para o Rio de Janeiro. Não seria a última vez que o imperador visitou a cidade, o monarca, até o final de seu reinado, visitou a cidade por diversas vezes.










