Crítica ― Velozes e Furiosos 8

“Na época (do lançamento do primeiro filme) Eu lembro de ter falado para o estúdio: ‘não façam outro Velozes e Furiosos’”

Vin Diesel em uma entrevista à Carol Moreira.

Na véspera do lançamento de Velozes e Furiosos 8, eu reassisti ao primeiro filme da franquia não apenas motivado pela nostalgia para resgatar em minha memória um filme que fez parte de minha historia como cinéfilo, como também para reencontrar o filme que fez um bem maior a série do que qualquer outro que veio depois dele.

Ali estavam as panorâmicas da cidade de Los Angeles com suas ruas sendo atravessadas pela velocidade de carros incríveis durante madrugadas sem lei, pano de fundo para nos apresentar o dilema moral de um policial seduzido pelo grupo criminoso ao qual está infiltrado. Claro que não é, principalmente quando se trata de roteiro, um filme perfeito, mas seus absurdos são aqui muito mais perdoáveis do que seriam no futuro.

Desde a abertura, cada sequência era sempre muito bem ritmada pela ótima trilha sonora ― lembro de logo ter comprado o CD para, ao ouvir aquelas musicas envolventes e descoladas, experimentar a sensação de permanecer naquela atmosfera, de sentir que o filme continuava de certa maneira para mim mesmo depois da cena final.

Mal sabia eu que o filme continuaria. O problema é que o produto final da sequência +Velozes +Furiosos (que não teve Vin Diesel no elenco)  acabou por se tornar um filme tão dispensável que até concorreu no Framboesa de Ouro ― evento de premiação aos piores filmes do ano― em duas categorias tão cômicas quanto trágicas: Pior Sequência e Pior Desculpa para Fazer um Filme. Ainda corajosos, os realizadores conceberam uma edição em Tóquio como terceiro filme que hoje só é lembrado pelo final: depois de uma sequência em um estacionamento que alternava closes entre curvas de novinhas asiáticas, motores potentes e um slow motion sobre corpos dançantes, eis que me aparece Vin Diesel (fazendo apenas uma ponta no filme) desafiando o protagonista para um pega. Tudo isso ao som da mais famosa música de toda a franquia ― quem ainda não ouviu Tokio Drift pelo menos umas duzentas vezes tocando em algum som automotivo na rua?

O quarto filme chegou com a volta da dupla Vin Diesel e Paul Walker no elenco trazendo assim boas expectativas para a franquia. Acontece que foi exatamente ai que a serie de absurdos começou: Tivemos um tanque flamejante de combustível quicando na estrada e por centímetros não acertando um carro que corria em sua direção; tivemos, no quinto filme, um cofre gigante sendo arrastado por dois carros de luxo pelas ruas do Rio de Janeiro (as leis da física se adaptaram ao roteiro do filme para que o cofre fizesse a curva juntinho com os carros); um tanque de guerra surgiu no sexito filme de dentro de um caminhão em uma velocidade pouco provável e esmagando carros na contra mão, e por fim, tivemos o insuperável sétimo filme que nos presenteou com carros que saltam de paraquedas e que mais tarde pulariam de um prédio para o outro.

Então chegamos a Velozes e Furiosos 8, um filme que é muito bom simplesmente porque é muito engraçado e não permite o espectador se entediar por um segundo sequer. Afinal de contas, quem não se manteria interessado em filme em que carros de luxo são perseguidos por um submarino em um lago congelado? E quando falo de humor não me refiro apenas ao Roman (Tyrese Gibson) clássico alívio cômico da franquia e que nos oferece os momentos mais engraçados do filme, mas me refiro à metade do elenco que pelo menos em algum momento faz alguma graça.

Nessa nova missão (já que os personagens do filme deixaram de ser corredores de rua para se tornarem agentes internacionais), Toretto trai sua equipe ao se aliar a uma organização criminosa que o chantageia para ajudá-los a praticar um holocausto nuclear. Confusa, sua equipe tenta o impedir em uma batalha que tem como arena quatro continentes diferentes.

Tenho que admitir a evolução técnica da franquia ao longo desses 16 anos ― a fotografia em especial parece bem preocupada em explorar com excelência as locações diversificadas que o filme faz questão de ocupar, como a paisagem de Havana no inicio do filme, a noite de Berlim e a neve russa.

Apesar de tudo, o filme parece muito mais estar fazendo uma migração de gênero quando seu teor cômico eleva o filme a uma comedia e seu aparato tecnológico improvável lhe dá uma cara de ficção cientifica. Já espero encontrar nos próximos filme da série alienígenas perseguindo lamborghinis no espaço enquanto Ronam tenta se comunicar com eles através de mímica fazendo o publico no cinema cair na gargalhada.

“Se Juventide Transviada tivesse uma continuação não seria um clássico. Vocês têm um clássico nas mãos, portanto não façam uma continuação de Velozes” Continua Vin Diesel na entrevista á Critica de Cinema Carol Moreira.

É uma Pena que ele mesmo tenha mudado de ideia depois que o estúdio prometeu a ele o domínio criativo para que decidisse, como produtor, o futuro da franquia.

Assista ao trailer clicando aqui

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Em cartaz48 Posts

Amante de cenas e textos, contista nas horas vagas. Rogério Jr. traz para a coluna Em Cartaz suas impressões a respeito dos principais lançamentos no cinema.

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