Com venda de água mineral, talentosa campista realiza sonho de disputar BMX. Saiba quem é!

Com venda de água mineral, talentosa campista realiza sonho de disputar BMX. Saiba quem é!

Dessa vez vamos abordar uma modalidade esportiva ainda desconhecida por muitos leitores. Trata-se do BMX, também conhecido como bicicross. O BMX surgiu na Europa e se popularizou na Califórnia no começo dos anos de 1960. No Brasil, a primeira pista foi no Guarujá, no litoral paulista, em agosto de 1978.

Mais tarde, em 1979 foi construída uma pista na Marginal Pinheiros, em São Paulo, próximo à Ponte da Avenida Cidade Jardim. O local contava com obstáculos, curvas e um poço de lama e os pilotos utilizavam bicicletas e equipamentos fornecidos pela Monark, que era a proprietária do local. A primeira aparição olímpica foi nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, com disputas tanto no masculino quanto no feminino. Em nossa região temos alguns adeptos ao esporte.

Um deles é o capixaba Rhenan Amaral, de 30 anos de idade, com raízes campistas há mais de 12 anos. Questionado a respeito do que levou a querer conhecer e praticar o bicicross, Rhenan Chulé, como é conhecido popularmente, disse: “Meu pai era ciclista de rua e meu tio era campeão mineiro de BMX. Desde meus 3 anos de idade ando de bicicleta. Com 7 anos ganhei meu primeiro título de campeão paulista e com 9 anos fui campeão brasileiro”, e segue: “Com muito orgulho e modéstia, já fui campeão brasileiro quatro vezes, três vezes campeão da Copa do Brasil, dezesseis vezes campeão capixaba, duas vezes campeão paulista, três vezes campeão mineiro, duas vezes campeão carioca, um bronze sul americano e décimo segundo lugar no mundo, no ano de 2006”.

Atualmente, com 30 anos de idade, Rhenam Amaral voltou a praticar BMX como amador, porém, com intenção de voltar a competir no final do ano. Não podemos deixar de falar dos campistas Winston Churchill e Letícia Barreto, respectivamente pai e filha. Winston é ex-atleta e deixou de competir em 1995. Naquela época, treinava numa pista que existia atrás da Rodoviária Roberto da Silveira. Churchill conta que um dia viu a filha apostando corrida de bicicleta com os colegas de escola e ela estava ganhando dos meninos. Isso chamou a sua atenção. Questionada se gostaria de aprender e praticar BMX, Letícia não titubeou em responder que sim. A partir daí ganhou sua primeira bicicleta apropriada para a prática do esporte. Começou a treinar e, consequentemente, vieram os títulos de campeã capixaba, campeã carioca, campeã mineira, 3º best of brazil in 2017, 7º best of brazil in 2018 e 5º best of brazil 2019. “Partindo do principio que o BMX é a base para outros esportes, a exemplo: montain bike, dunhill, freestyle, entre outros, muitos acabam cortando o ciclo, migrando repentinamente para outras modalidades, além de pular as etapas, o que considero um erro gravíssimo.

O BMX é a base de tudo e geralmente o atleta que inicia no bicicross leva vantagem em relação aqueles que não iniciaram”, completou Churchill. Já em relação ao incentivo público, pai e filha mencionam que em 2018, o secretário de esportes, Raphael Thuim conseguiu a passagem de ônibus para Americana-SP, mas que nunca houve oportunidade de adesão a bolsa atleta.

“Já em 2019, vendi água mineral enfrente ao shopping 28, e dessa forma consegui o dinheiro que precisava para arcar com despesas de transporte. Já as demais despesas foram custeadas pelo meu paitrocínio”, brincou Letícia. Como mencionado no início do texto, estamos trazendo à tona uma modalidade esportiva que está presente nas Olimpíadas de Tóquio. Infelizmente, os nossos representantes já encerraram as suas participações, ficando o masculino em 14º lugar e feminino foi até as quartas de final.

matheus

 

 

*Mateus Chagas é formado em direito, gerente de contratos da W Seg e entusiasta do esporte campista