Exposição fotográfica “Novos tempos na casa grande ” faz releitura de episódios históricos

Olá queridos leitores.

Na coluna de hoje venho trazer para vocês um convite para visitarem a exposição fotográfica com tema “Novos tempos na casa grande”, que vai acontecer na câmara Municipal de Campos, no dia 22 de junho até 30 do mesmo mês.

No mês de maio, por conta do dia 13 da Lei áurea e do dia da luta contra o racismo, resolvi fazer um ensaio fotográfico de época. Estava fazendo nada mais nada menos que uma releitura através da arte de um episódio histórico. Convidei o  fotógrafo Luan Abreu, que embarcou nesta ideia e traduziu o que meu coração sonhou, através das lentes de sua câmera fotográfica.

Homens e mulheres que residiam na casa grande eram senhoras e senhores que circulavam com suas vestes ataviadas e luxuosas tendo seus direitos estéticos preservados.

E os escravos? Vestiam meros trapos e habitavam em anexos da casa grande em condições insalubres. Quando disse “Novos tempos na casa grande ” estava pensando que o negro pode residir nas grandes mansões contemporâneas  e circular com roupas finas, tendo direito a escolher usar roupas, perfumes e joias nos dias de hoje.

Pensei no tema porque lembrei de quando minha mãe branca me contava que meu pai negro foi barrado em clubes aqui mesmo na cidade e isso os constrangiam pois namoravam, e hoje ver negros protagonizando uma releitura de exposição inauguralmente num lugar onde a camada opressora e racista habitava, além de ver negros podendo circular livremente em espaços públicos e privados, mostra novos caminhos.

Ao pensar em “Novos tempos na casa grande”, em momento algum, deixei de pensar nos direitos sociais da negritude e ignorar a gama de ataques racistas que ainda sofre.

Leitores, venho dizendo isso bastante tempo: o projeto Black e cia trabalha autoestima e fazemos um recorte étnico racial.

E, por isso, a referida exposição também me fez pensar em identidade da negra escravizada, que não tinha direito de olhar no espelho e reconhecer -se porque era privada de cuidar de sua aparência. Até hoje, ainda ouvimos, através do racismo velado, empresas que preferem contratar pessoas com boa aparência.

Sim!

As escravas negras  não usavam perfumes caros nem podiam usar vestidos luxuosos, exceto se fossem objetos de exibicionismo por seus senhores. Não podiam cuidar do seu corpo e banhar-se nas banheiras cheias de essência, tomar um banho gerador de bem estar físico, com privacidade.

Quando pensei, entre tantas coisas em “Novos tempos na casa grande”, sonhei com crianças negras que nunca puderam ter um brinquedo ou desde cedo serem tratadas como princesas haja vista a cor de sua pele destruindo covardemente a autoestima delas, perpetuando assim na adolescência e fase adulta poderem ter essa oportunidade nos dias de hoje, ou ainda não!

“Novos tempos na casa grande”, gostaria que fosse uma vivência real de cada pessoa negra que se acha feia, desprezível ou acha impossível habitar em lugares confortáveis com qualidade de vida e usarem roupas e acessórios não para serem elogiadas, envaidecidas ou superiores.

NÃO, não !
Mas para além dos adornos e viés estético, no campo emocional e mental sejam empoderadas ou lutando por seus direitos sociais e espaço na sociedade. A autoestima é protagonista na estimulação da autoconfiança e visão que se tem de si mesmo o que corrobora para o empoderamento.

“Novos tempos na casa grande “, tem toque artístico enraigado de sutilezas que vão despertar críticas e questionamentos e que traz uma releitura sensível, construída inevitavelmente na possibilidade de liberdade de expressão!

“Novos tempos na casa grande”, independente de uma exposição fotográfica, é fruto de uma vivência subjetiva exteriorizada através da arte e que vai tomando dimensões e rumos desconhecidos pela autora, mas que, certamente, não pode ser abortada. Arte e esperança não se abortam, e sim renascem das cinzas para se manterem vivas dentro de cada um de nós!

Fotos: Fotógrafo Luan Abreu

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Black e Cia Chagas27 Posts

Cida Chagas é professora de educação infantil, graduanda em Psicologia e idealizadora e coordenadora do projeto Roda de Conversa Arte e Prosa. É responsável também do projeto Black e Cia. Apaixonada por escrita, inclusive poesias, versos e frases, ela possui uma página para esses momentos de inspiração.

2 Comments

  • Rafael Saraiva Reply

    14 de junho de 2017 at 13:26

    Inicialmente quando vi o título e as fotos, já coloquei dois pés atrás, e comecei meus questionamentos internos e as problemáticas da proposta. Mas me liguei a tempo, da necessidade de ao menos ler a matéria toda antes de comecar a tirar conclusões. Enfim cheguei a conclusão que o projeto é sensacional, quando reocupa a imagem desses lugares onde nosso povo nunca ousou sonhar estar, porque impondera a imagem do negro e vale lembrar que a estética negra tem sido fundamental no processo de emancipação do povo negro. O projeto é cuidadosamente pensado com carinho na saúde mental dos envolvidos fazendo um processo de emponderamento até deixar todos tranquilos com a sua imagem nesse locais. Muito obrigado por mais uma vez formentar o debate dentro do povo negro, precisamos crescer e evoluir juntos. Parabéns ao projeto Black e Cia e todos os envolvidos.
    Att. Rafael Saraiva coordenador UJS anti-racista e Unegro Campos RJ

  • Gilberto Totinho Reply

    14 de junho de 2017 at 14:37

    “NOVOS TEMPOS NA CASA GRANDE” ???
    só pode ser brincadeira , eu não tô lendo isso não !
    Vivemos tempos onde as agreções racistas estão sendo as caras limpas em todos os setores da sociedade brasileira, onde as redes sociais passaram a ser um dos veículos de comunicação onde temos sido agredidos por práticas racistas todos os dias, vivemos tempos onde estão sendo surrupiados nossos parcos direitos como cidadãos brasileiros.
    “NOVOS TEMPOS NA CASA GRANDE” para quem? Pq para nós negros ainda vivemos as velhas práticas, sofremos e vivemos os velhos costumes racistas e conservadores da casa grande(sociedade brasileira).
    “NOVOS TEMPOS NA CASA GRANDE” de fato é mesmo um novo tempo no Planalto central com a onda do MENSALÃO E LAVA JATO, onde temos acompanhado mares de dinheiro roubado pelos senhores de engenho da atualidade, de fato é um novo tempo no palacio do Guanabara, onde temos visto os senhores de engenho e suas sinhazinhas roubando mares de dinheiro e jogando o rio na falência, de fado são novos tempos aqui no CEZEQ , onde os parcos direitos sociais dos modernos escravos de ganho nos foram tirados essa semana.
    Nunca vai haver um novo tempo na casa grande para nós negros. O povo preto quer festa sim, mais é preciso ter reparação primeiro! não podemos permitir e deixarmos se levados pela velha prática dos senhores da casa grande(políticos) do pão e circo. Queremos festas sim, mais primeiro temos que ter nossos direitos assegurados, queremos uma política pública que seja includente, uma política pública que nos de igualdade de oportunidades equânimes.

    Gilberto Totinho
    Presidente do fórum municipal de Religiões Afro brasileira-FRAB
    Presidente do conselho municipal de igualdade racial
    Ativista do movimento negro unificado-MNU.

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