A Praça do Flamboyant, um dos pontos conhecidos do bairro de mesmo nome em Campos, tornou-se o cenário de um drama social que expõe a face mais cruel da vulnerabilidade urbana. Há cerca de três meses, Samuel, que está desempregado, fez do espaço público o seu abrigo, vivendo em condições que desafiam a dignidade humana, vivendo dentro de uma barraca de camping de dois lugares.
Se por um lado ele não tem acesso a moradia e saneamento básico, por outro ele diz que estar no local é um “chamado divino”, onde ele lê e prega a palavra para transeuntes.
“Está escrito na palavra de Deus, ‘ide e pregai o evangelho. Isso aqui é só uma fase, que vai passar”, diz, otimista, o rapaz.
De nome bíblico, Samuel conta que já morou em casas, mas de favor. Após problemas com pessoas que o cederam o imóvel, saiu e foi morar nas ruas. “Aqui na praça, pelo menos, posso pregar a palavra, coisa que é bem mais difícil na BR-101, por exemplo. Muitas pessoas param, escutam, mas outras pensam que é coisa de gente doida”, ressalta.
Questionado como faz para manter a higiene pessoal, Samuel diz que utiliza garrafas e recipientes plásticos para as necessidades fisiológicas, realizando o descarte dos resíduos posteriormente no próprio ambiente ou em lixeiras próximas.
A situação evidencia não apenas a crise habitacional, mas também um grave problema de saúde pública.
A presença de pessoas em situação de rua em praças da cidade tem sido um tema recorrente nos debates sobre assistência social no município. Casos como o da Praça do Flamboyant reforçam a necessidade de intervenção das equipes de abordagem social para o encaminhamento a abrigos municipais e a inclusão em programas de reinserção no mercado de trabalho.
Procurados, familiares de Samuel disseram respeitam a escolha dele e que vão ao local levar comida e remédios, inclusive para esquizofrenia. Ele tem um filho de 6 anos de idade. “Nos dói muito ver um familiar nosso nessa situação. Os dias de frio são os mais sofridos para gente, e ele vai uma noite e volta pra rua, ele morava com a nossa avó e com a mãe dele. É super inteligente, desde pequeno”, destaca uma parente que iremos preservar a identidade.
Samuel é técnico de informática, e tem prática com pintura e lanternagem que aprendeu com um tio, fora o lado da espiritualidade.









