Uma abordagem de rotina da Guarda Municipal de Campos, na Rua Espírito Santo, transformou-se em um cenário de forte tensão e revolta nesta terça-feira (12). Um motoboy, tomado pelo desespero após ser parado por agentes de fiscalização, ateou fogo na própria motocicleta, o que gerou imediata repercussão entre moradores e motoristas que transitavam pelo local. O incidente foi registrado por diversas pessoas e as imagens, que mostram o veículo em chamas, rapidamente se espalharam pelas redes sociais, inflamando o debate sobre as ações de Ordem Pública no município.
Testemunhas que acompanharam a cena relataram que o trabalhador demonstrou profunda indignação com a forma como a fiscalização foi conduzida. Segundo os relatos, o ato extremo de incendiar o próprio instrumento de trabalho foi uma reação à pressão exercida pelas operações frequentes. O episódio mobilizou não apenas quem passava pelo local, mas também comerciantes da região, que se uniram ao coro de críticas contra a Secretaria de Ordem Pública e a Guarda Municipal, questionando o rigor aplicado especificamente contra quem utiliza a moto para o sustento diário.
A principal queixa da população reside na percepção de uma falta de isonomia nas operações. Moradores e trabalhadores afirmam que as fiscalizações parecem ser direcionadas majoritariamente aos motociclistas, enquanto outros tipos de veículos, como ônibus, vans e caminhões — muitos deles em condições visivelmente irregulares — circulariam sem o mesmo nível de cobrança.
Diante da gravidade do ocorrido, o caso reacende discussões profundas sobre os métodos de abordagem utilizados em Campos e o tratamento dispensado aos trabalhadores informais e prestadores de serviço de entrega. Até o momento, a Prefeitura de Campos e o comando da Guarda Municipal não se manifestaram oficialmente sobre o incidente ou sobre as críticas relacionadas aos critérios de seleção dos veículos abordados nas blitzes da cidade.









