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Bolsonaro e o Centrão

Nurbana by Nurbana
28 de julho de 2021
in Política
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Hoje iremos tentar entender um pouco o famoso Centão. Quem são eles? Qual seu papel na política? Quais suas bandeiras e a relação com o governo federal?

Hoje os partidos de centro mais importantes (e conhecidos) são: Partido Social-Democrata (PSD), Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido Progressista (PP), Democratas (DEM) e o SD (Solidariedade). Mas é importante compreender que nem todos os políticos desses partidos são do Centro.

Na minha opinião, a autodenominação de centro é uma tentativa retórica dos partidos se mostrarem mais moderados.

Alguns que se definem como Centro são claramente partidos de direita, o que não quer dizer que seja uma direita radical. Já o PSL, a gente não sabe o que é, ainda mais depois dessas confusões que ele se meteu, mas se a gente for tomar pelo Bolsonarismo, ele seria uma direita conservadora liberal.

Embora não caracterize necessariamente uma orientação ideológica, o termo liberal aparece com frequência nas definições dadas pelas siglas: nove partidos citam a palavra na hora de descrever seu posicionamento. O PSL se considera “liberal de direita”; o PRTB é “liberal-conservador”, e “liberal de centro”, é como se considera o PL e o PSDB, que afirmam serem adeptos do “liberalismo social” e o DEM, uma agremiação “democrata liberal”. Três partidos se dizem “liberal na economia”: PTB, PSC e Republicanos. A única legenda que se diz puramente liberal, sem maiores ponderações, é do partido Novo que se intitula de direita liberal, mas alguns dos seus líderes como João Amoedo tem se distanciado do real compromisso do partido e se declarando apoiador ex-presidentes corruptos, e orientando a sua base para votar contra pautas liberais, desapontando a maioria dos seus fundadores.

De uma maneira geral, o Centrão é capaz de se ajustar a vários tipos de governo. Ele já apoiou, por exemplo, o ex-presidente Lula. Agora, está construindo uma aliança com Bolsonaro. O mais importante para o centrão é estar próximo do poder. Assim, seus integrantes conseguem cargos importantes (como ministérios e diretorias de empresas estatais) e verbas. Visto que o Centrão tem um grande número de políticos. Governar sem esse apoio é bastante difícil, já que o mesmo controla um grande número de votos na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo a Câmara de Deputados, atualmente, tirando os partidos e centro e de esquerda, sobrariam 150 deputados. Com 150, o governo não vai a lugar nenhum visto que o mesmo depende de aprovação do congresso nacional para avançar com as pautas de campanha e os programas de crescimento do país. Então, a aproximação com os partidos de centro é pela governabilidade. Em entrevista, o próprio presidente afirmou: “Se alguém tem alguma bronca contra qualquer parlamentar, não se esqueça que foram vocês que colocaram eles aqui dentro”. E isso ele tem razão. A maior causa da falta de governabilidade do executivo se dá pela falta de apoio do congresso, onde foi o povo que elegeu tornando qualquer presidente refém do mesmo, por mais que critiquem o executivo, as alianças formada pelo governo federal nesta atual legislatura são perfeitamente legais dentro da lei e da constituição, diferentemente a de governos anteriores onde suas alianças eram pautadas através de diretorias de estatais, bancos e ministérios com aval para roubar e desviar recursos público. Como já e conhecido pelo povo, esse governo faz diferente. Mesmo costurando algumas alianças, estamos a quase três anos sem corrupção no governo. E se tratando de um cenário não muito distante e triste da nossa história, esse é um marco que precisa ser reconhecido como mérito. Bolsonaro destacou que o “Centrão” conta com aproximadamente 200 dos 513 deputados federais: “Se eu rejeitar esses 200, fico com 300. Desses 300 que sobram, tem metade que é do PT, PCdoB, PSOL, Rede, Cidadania, que não têm realmente nada em afinidade conosco e sempre votaram contra a gente”. Ficando assim nítido que qualquer um que estivesse nessa posição teria que fazer algumas alianças.

A mais controvérsia delas é a indicação do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que será o ministro-chefe da Casa Civil, a pasta mais importante do governo. O parlamentar também é o presidente nacional do Progressistas, partido do centrão. Aos 52 anos, Ciro Nogueira está em seu 2º mandato como senador. Antes, foi deputado federal por quatro anos consecutivos -apoiando os governos petistas e de Michel Temer (MDB).

Já o PP, partido presidido pelo futuro ministro, é um dos maiores do Centrão -grupo político sem coloração ideológica clara, que apoiou diversos governos desde a redemocratização.

Nogueira votou, inclusive, pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O PP inicialmente se manteve fiel à petista, mas passou a integrar o grupo favorável ao afastamento da presidente em abril de 2016. Na ocasião, o senador disse que o governo Dilma “perdeu sua capacidade de sustentação”.

LAVA JATO

A “mudança de chave” no posicionamento do PP é um dos casos que ainda miram Nogueira na Lava Jato. Um inquérito aberto em 2018 apura suposto recebimento de propinas pelo senador pagas pelo Grupo J&F. Em contrapartida, a legenda desembarcaria do governo Dilma durante o processo de impeachment. A investigação está em fase final.

E essa não é a única pendência de Nogueira no STF: há 2 denúncias da PGR (PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA) pendentes contra ele na Corte. A primeira acusa o senador de receber R$ 7,3 milhões da Odebrecht em troca de apoio político a causas de interesse da construtora. A outra impõe ao congressista o crime de obstrução de Justiça, ao tentar pagar o silêncio de uma testemunha.

A defesa de Ciro Nogueira nega as acusações e diz que o congressista foi colocado sob investigação “num momento no qual havia, claramente, uma tendência de criminalização da política“.

“No inquérito 4407, que investigou supostos pagamentos pela Odebrecht, o que existe é apenas a versão dos delatores, que não se sustenta em nenhum outro elemento de corroboração. E que hoje já estão desmoralizados. O mesmo ocorre em relação ao inquérito 4736, que investiga fatos decorrentes tão somente da colaboração da JBS“, afirmou o criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

“Já o inquérito 4720, após o Ministro Edson Fachin receber a denúncia, pediu vistas o Ministro Gilmar. A defesa confia na rejeição pelo colegiado, tendo em vista que tal investigação originou-se do INQ 4631, arquivado em relação ao Senador Ciro Nogueira”, concluiu o advogado.

Ciro Nogueira obteve vitórias recentes no STF contra a Lava Jato. Em março, o ministro Edson Fachin, relator da operação no tribunal, determinou o arquivamento de inquérito que apurava suposto repasse de R$ 1,5 milhão em propinas da construtora Queiroz Galvão a congressistas do PP. Ciro era um dos investigados. A PGR indicou falta de provas.

Em 2018, a 2ª Turma do STF rejeitou denúncia contra o senador, acusado de pedir e receber propinas da UTC Engenharia. Apenas Fachin votou para colocar o congressista no banco dos réus. Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli votaram para rejeitar a denúncia.

Muito influente, o mesmo se torna um mal necessário para o governo, visto que o cenário no congresso não é favorável para aprovação de pautas importantes para o crescimento do Brasil. Infelizmente, o brasileiro vota mal, elegendo políticos que possuem envolvimento com corrupção tornando a vida do executivo difícil e praticamente obrigando o governo que relutou durante dois anos e meio para fazer esse tipo de aliança. O que nos resta é acreditar e torcer que tudo dê certo, e que o presidente tome a melhor decisão para o país, mesmo não parecendo ser o correto, mas o necessário no momento. Afinal, quem votou no Bolsonaro , tem que confiar nele.

Fontes : Revista Oeste , Site poder360 , Revista Istoé

*Alexandre Manke tem formação superior em processos gerenciais, estudante de políticas nacionais e é técnico de planejamento integrado

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