Anos após ter sua própria vida salva e transformada por receber um rim de um doador anônimo, uma moradora de Campos dos Goytacazes experimentou o outro lado desse ciclo de solidariedade. Ao lado de sua mãe, ela foi a responsável por dar o consentimento definitivo para a doação dos órgãos de seu próprio irmão, um jovem de 33 anos que morava no Parque Tamandaré e teve a morte encefálica confirmada após sofrer um grave acidente de motocicleta no início de junho. O gesto de extrema generosidade da família retribuiu a chance que ela própria recebeu no passado, permitindo que o coração, o fígado e os dois rins do rapaz fossem coletados para salvar quatro pacientes que aguardavam na fila única nacional.
O procedimento humanitário marcou a sétima captação de órgãos realizada no Hospital Ferreira Machado (HFM) em 2026. Toda a complexa operação logística e de retirada das estruturas foi coordenada pela equipe do NF Transplantes. De acordo com a coordenação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos (CIHDOTT) da unidade de saúde, a história dessa família sintetiza o impacto real e a relevância da conscientização pública, mostrando como o acolhimento à dor do outro pode criar uma corrente contínua de sobrevivência. A ação recente dá sequência ao balanço positivo de captações no hospital fluminense, que poucas semanas antes já havia viabilizado a coleta de múltiplos órgãos e tecidos de uma paciente de 40 anos para o socorro de outras seis pessoas.










