Historicamente marcado por debates sobre poluição e saneamento, o Canal Campos-Macaé — popularmente conhecido pela população local como o “valão do Centro” — virou palco de uma cena surpreendente nos últimos dias. Um imenso cardume, composto majoritariamente por tilápias e bagres-africanos, foi registrado cobrindo a superfície da água, atraindo a atenção de dezenas de pedestres e motoristas que passavam pelo trecho urbano do canal.
Um vídeo publicado nas redes sociais do Jornal Notícia Urbana mostra a fartura impressionante de peixes, que nadavam muito próximos às margens. Nas imagens, é possível ver a movimentação intensa dos animais, o que rapidamente gerou curiosidade e reuniu populares ao longo das grades de proteção do canal para observar e registrar o fenômeno com celulares.
Espécies resistentes e o ecossistema do canal
A presença abundante de tilápias (Oreochromis niloticus) e bagres-africanos (Clarias gariepinus) no local tem explicação biológica. Ambas são espécies exóticas e extremamente resilientes, capazes de sobreviver e se reproduzir em ambientes com baixa oxigenação da água e altos índices de carga orgânica — características comuns em trechos de canais urbanos que recebem drenagem e esgoto.
O bagre-africano, em especial, possui um órgão respiratório auxiliar que o permite absorver oxigênio diretamente do ar atmosférico, o que explica sua alta adaptabilidade a corpos d’água poluídos onde outras espécies nativas não resistiriam.
Alerta sobre o consumo
Embora a cena da “fartura” de peixes encante quem passa e demonstre a impressionante resistência da fauna urbana, especialistas alertam que a pesca e o consumo desses animais em trechos urbanos poluídos representam um grave risco à saúde pública. Devido à contaminação da água por esgoto doméstico e possíveis resíduos químicos e metais pesados, esses peixes podem acumular patógenos e substâncias tóxicas em seus tecidos, tornando-os impróprios para a alimentação.
A cena, que mescla a insistência da vida selvagem com os desafios ambientais urbanos de Campos, continua repercutindo intensamente nas redes sociais e reacende o debate sobre a necessidade de despoluição e revitalização de um dos canais artificiais mais longos do mundo.










