Uma página criada recentemente em uma rede social por estudantes de um tradicional colégio particular de Campos acendeu um alerta vermelho na comunidade escolar. O perfil reúne dezenas de relatos anônimos de alunos e ex-alunos que denunciam supostos episódios de assédio sexual, bullying, intolerância religiosa e o que classificam como negligência por parte da direção da instituição católica.
Até o momento, a página acumula publicações detalhando situações desconfortáveis e abusivas que teriam ocorrido dentro do ambiente escolar ou em eventos organizados por estudantes. Entre os relatos, destacam-se queixas de importunação e assédio sexual praticados por outros alunos, com relatos de que as vítimas não teriam recebido o acolhimento necessário ao reportarem os fatos à coordenação.
Bullying e intolerância religiosa
Além das denúncias de cunho sexual, o espaço virtual tornou-se um canal para expor o sofrimento de estudantes que afirmam ter sido alvo de bullying sistemático. Em pouco dias de criado, a página já tinha mais de 3 mil seguidores. Há também relatos de intolerância religiosa, nos quais alunos de religiões de matriz africana ou de outras denominações não majoritárias teriam sido hostilizados por colegas e, em alguns casos, sem que houvesse intervenção efetiva do corpo docente ou da direção para coibir a prática.
“A gente tentava falar com a coordenação, mas a resposta era quase sempre de que ‘era brincadeira de idade’ ou que iriam conversar com os responsáveis, mas nada mudava”, afirma um dos relatos anônimos publicados na página, atribuído a uma ex-aluna.
A exposição dos relatos gerou forte repercussão entre pais, responsáveis e o corpo discente, levantando debates sobre a eficácia dos canais de escuta e acolhimento de instituições privadas de ensino na região.
Por meio de nota, a escola informou que tomou conhecimento das publicações recentemente divulgadas nas redes sociais e, por supostamente envolver crianças e adolescentes, a instituição está legalmente impedida de divulgar informações ou providências adotadas, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
O Jornal Notícia Urbana optou por não divulgar o nome da escola até que o veículo de comunicação tenha mais provas concretas sobre as denúncias ou acesso ao Boletim de Ocorrência.










