O Pix facilitou a vida dos brasileiros, mas também se tornou uma das ferramentas utilizadas por criminosos para aplicar golpes.
Falsa central de atendimento, falso funcionário de banco, falsas ofertas de emprego, pedidos de dinheiro em nome de familiares e até pessoas se passando por profissionais conhecidos são algumas das estratégias utilizadas.
E esses golpes estão cada vez mais comuns e mais próximos da gente.
Um caso recente ocorrido em Itaperuna chama atenção. Um golpista teria se passado por um profissional ligado ao Grêmio para conquistar a confiança de uma vítima e conseguir uma transferência via Pix.
O episódio mostra como esse tipo de fraude está cada vez mais sofisticado. Os criminosos não dependem apenas de mensagens suspeitas ou abordagens agressivas: muitas vezes, primeiro conquistam a confiança da vítima para depois pedir o dinheiro.
Golpes semelhantes acontecem diariamente em diferentes cidades e podem atingir qualquer pessoa.
Caiu no golpe, o que fazer? A primeira providência é avisar imediatamente o banco e contestar o Pix, solicitando o Mecanismo Especial de Devolução (MED).
O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação. Mas não espere. Quanto mais rápido o banco for comunicado, maiores podem ser as chances de localizar e bloquear valores que ainda estejam nas contas envolvidas.
Também é importante registrar um Boletim de Ocorrência, guardar comprovantes, conversas, prints, números de telefone e todas as demais informações relacionadas ao golpe.
O MED, porém, não garante que o dinheiro será devolvido. A recuperação depende da análise do caso e da existência de recursos que possam ser bloqueados.
E quando o Pix foi feito por engano? Aqui existe uma situação diferente e que muita gente desconhece.
Se você digitou uma chave Pix errada e o dinheiro caiu naconta de outra pessoa, não se trata de golpe e o MED não é o caminho adequado.
Nesse caso, o Banco Central orienta que quem recebeu um Pix por engano deve utilizar a própria função de devolução da transação disponível no aplicativo do banco.
Mas e se a pessoa receber o dinheiro e se recusar a devolver? A situação pode ter consequências jurídicas. Quem enviou o dinheiro por engano deve guardar o comprovante, procurar o banco e, se necessário, registrar a ocorrência e buscar as medidas cabíveis para tentar recuperar o valor.
Por falta de informação que deveria ser mais divulgada pelas próprias instituições financeiras, muitas pessoas acabam ficando com o prejuízo ou não sabem sequer quais providências tomar.
E o banco é obrigado a devolver? Não necessariamente.A simples existência do golpe não significa que o banco será automaticamente obrigado a pagar o prejuízo.
A responsabilidade da instituição financeira pode existir quando ficar demonstrada falha na segurança do serviço, como movimentações incompatíveis com o perfil do cliente ou outras circunstâncias que revelem deficiência nos mecanismos de proteção.
Por outro lado, se não houver falha do banco e as operações forem consideradas compatíveis com o comportamento habitual do cliente, a Justiça pode afastar a responsabilidade da instituição.
Em julho de 2026, o Superior Tribunal de Justiça analisou um caso de golpe da falsa central de atendimento e afastou a responsabilidade do banco porque não foram identificadas operações incompatíveis com o perfil da cliente nem falha nos mecanismos de segurança. Ou seja: cada caso precisa ser analisado individualmente.
Informação também é prevenção. Antes de confirmar qualquer transferência, confira o nome do destinatário. Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro, mesmo quando aparentemente vêm de alguém conhecido.
E, se cair em um golpe, não tenha vergonha de procurar ajuda e comunicar imediatamente o banco.
Também é importante que essas informações sejam mais divulgadas pelas próprias instituições financeiras. Saber como funciona o MED e o que fazer diante de um Pix enviado por engano pode fazer uma grande diferença.
No golpe do Pix, agir rapidamente pode ser decisivo.
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Esta matéria tem caráter informativo e não su









