Primeiro turno deixa lições sobre comunicação, fiscalização e responsabilidade para a próxima votação.
O primeiro turno das eleições deixou algumas situações que merecem reflexão. Entre elas, o derrame de santinhos próximo aos locais de votação, as dificuldades de eleitores que encontraram mudanças em suas seções e locais de votação e, principalmente, os problemas de comunicação.
O derrame de material de propaganda eleitoral próximo aos locais de votação é proibido pela legislação eleitoral. O eleitor que identificar possíveis irregularidades pode utilizar canais oficiais de denúncia, como o aplicativo Pardal.
Mas fiscalizar não é responsabilidade apenas da Justiça Eleitoral. A população também precisa conhecer as regras e utilizar os mecanismos disponíveis.
Outro ponto que merece atenção é a comunicação.
Nem todos acompanham telejornais locais, ouvem rádio ou utilizam redes sociais. Há pessoas que assistem principalmente a canais por assinatura e podem não receber informações importantes sobre mudanças de seção ou de local de votação.
Por isso, informações de interesse do eleitor deveriam chegar por diferentes meios: SMS, redes sociais, rádio, televisão, jornais e portais locais. A imprensa regional pode exercer um papel importante na divulgação de informações de serviço.
Não basta disponibilizar a informação. É preciso fazer com que ela chegue ao cidadão.
E isso vale também para jornalistas e comunicadores. Em períodos eleitorais, quem possui espaço nos meios de comunicação tem uma grande responsabilidade: informar, orientar e contextualizar.
Opinião é legítima. O problema aparece quando opinião e propaganda se confundem com informação ou quando declarações são retiradas de contexto para provocar determinada reação.
Precisamos de mais informação coerente, contextualizada e responsável. Conhecimento também traz responsabilidade.
O mesmo cuidado vale para os espaços religiosos. Política e religião podem fazer parte das discussões da sociedade, mas ambientes de fé precisam ser preservados de disputas político-partidárias que possam dividir suas comunidades.
Também é necessário cobrar das instituições e dos governantes. Serviço público não é favor, e o cidadão não deveria depender permanentemente de determinado político para ter acesso àquilo que é um direito.
Mas a responsabilidade não está apenas nos outros.
Cada um de nós precisa fazer a sua parte. Não podemos cobrar ética, respeito e verdade enquanto agimos de maneira diferente quando isso nos convém. Princípios precisam valer também quando são colocados à prova.
E no segundo turno?
A próxima votação pode ser uma oportunidade para colocar essas lições em prática.
O eleitor deve buscar informações sobre as propostas, o histórico e a trajetória dos candidatos, formando sua própria convicção, sem transformar o voto em consequência de pressão de amigos, lideranças ou grupos políticos.
Também é importante ter cuidado com as informações recebidas pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Antes de compartilhar, confira a fonte, procure o contexto e, sempre que possível, consulte informações oficiais e veículos confiáveis.
E um lembrete importante: quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular. Cada turno é considerado uma eleição independente.
Quem deixou de votar no primeiro turno também deve ficar atento ao prazo para justificar a ausência: até 3 de dezembro de 2026. Caso também não vote no segundo turno, a justificativa será feita separadamente, até 8 de janeiro de 2027.
Antes de sair de casa, vale conferir novamente o local e a seção de votação, especialmente para quem enfrentou mudanças no primeiro turno.
E fica uma sugestão às instituições responsáveis: que os problemas identificados sejam analisados e corrigidos antes da próxima votação.
Quando o cidadão procura informação, denuncia uma irregularidade ou enfrenta dificuldade para votar e não encontra uma resposta clara, aumenta a sensação de desorganização.
Por isso, é preciso transformar os problemas em aprendizado, com informação, fiscalização, transparência e resposta.
No fim, a lição é simples:
Mais informação, menos boato.
Mais responsabilidade, menos intolerância.
Mais fiscalização, menos omissão.
As eleições passam. A cidadania continua









