O mês de outubro, marcado por campanhas de conscientização sobre saúde mental, passou. Mas, a preocupação com o bem-estar emocional de crianças e adolescentes precisa continuar em pauta. Cada vez mais cedo, meninos e meninas têm acesso a conteúdos que nem sempre estão preparados para compreender ou filtrar. E boa parte desse impacto vem das redes sociais.
Um caso recente que ganhou repercussão internacional envolve famílias italianas que decidiram processar o Facebook, Instagram e TikTok. A acusação: permitir que menores de 14 anos criem perfis livremente e sejam expostos a algoritmos que estimulam o vício e afetam diretamente a saúde mental. Segundo os autores da ação, mais de 3 milhões de contas ativas pertencem a crianças abaixo da idade mínima permitida.
A iniciativa exige que as empresas reforcem a verificação de idade e eliminem mecanismos de manipulação comportamental. Em resposta, a Meta — dona do Facebook e Instagram — afirmou que já adota medidas de segurança (Meio/Reuters). Ainda assim, essa não é uma situação isolada: há uma onda de processos semelhantes em vários países, refletindo uma preocupação global sobre o impacto das plataformas na formação psicológica dos mais jovens.
Especialistas alertam que a superexposição ao conteúdo digital pode aumentar quadros de ansiedade, depressão e distorções de autoimagem, além de reduzir o convívio social e afetar a qualidade do sono. No Brasil, embora as regras também prevejam idade mínima para acesso, o controle ainda depende, em grande parte, da atenção e dos limites estabelecidos pelas famílias e responsáveis.
A recomendação dos psicólogos e educadores é clara: acompanhar de perto o que as crianças consomem online, estabelecer horários de uso, incentivar conversas abertas sobre o que veem e sentem e, sempre que possível, priorizar atividades no “mundo real” que fortaleçam vínculos, autoestima e senso crítico.
Cuidar da saúde mental na infância e adolescência é um investimento no presente e no futuro. A internet pode ser uma aliada no aprendizado e na criatividade, desde que usada com segurança, responsabilidade e, principalmente, com orientação.









