Esta imagem que você vê acima vai te provar uma coisa: empreender não é essa maravilha e esse glamour que vendem na internet. Acredite em mim: o próximo nível da sua vida ou do seu negócio sempre vai exigir mais de você.
Como diz o famoso ditado: “Se você pede pela chuva, tem que estar pronto para lidar com a lama.” E naquele dia, eu estava atolado nela.
Essa foto foi tirada logo após a fase crítica da pandemia, na feira Brasil Offshore, em Macaé. Olhe bem para ela. Meu cabelo estava grande e desalinhado. O motivo? Eu simplesmente não tinha dinheiro nem para cortar o cabelo.
Naquela época, minha empresa até tinha bons contratos assinados, mas o mercado estava um caos absoluto. Alguns pagamentos cruciais estavam atrasados há mais de 120 dias. Eu estava no meu limite financeiro, emocional e físico. Todo o dinheiro que entrava no caixa era direcionado exclusivamente para honrar o compromisso com meus colaboradores. Para mim, o dono, não sobrava um centavo.
Mesmo nessa situação, eu sabia que precisava estar nessa feira. Era a chance de virar o jogo. Fui de Campos dos Goytacazes para Macaé pegando carona no ônibus do Sebrae, porque não tinha como arcar com o deslocamento.
Lá dentro, perto do horário do almoço, a fome apertou. Sem um real no bolso para comprar comida, tentei pegar um salgado que estavam servindo em um dos estandes. Fui barrado com um olhar de desdém pelo atendente. Foi uma daquelas humilhações silenciosas que a gente engole seco, sentindo o nó na garganta.
Eu podia ter ido embora. Podia ter sentado em um canto e reclamado da sorte. Mas eu decidi esquecer a barriga vazia e fui fazer a única coisa que eu sabia fazer de melhor naquele momento: prospectar. Fiquei o dia inteiro caminhando, conversando, entregando cartões e fazendo contatos.
O resultado de não ter desistido diante da fome e da vergonha? Nesse exato dia, exausto e sem dinheiro, eu construí a ponte para um dos melhores contratos de prestação de serviços que já realizei dentro do Porto do Açu para uma empresa gigante do setor energético.
Para você que quer empreender ou está passando por um “vale” financeiro agora, não fantasie o processo. O palco só existe por causa dos bastidores difíceis. Aqui estão 3 princípios que me fizeram ir àquela feira e vencer, mesmo sem ter como pagar meu próprio almoço:
1. Líderes comem por último (às vezes, literalmente)
O dinheiro do negócio não é o seu dinheiro. A prioridade absoluta era a folha de pagamento da minha equipe, não o meu conforto pessoal. Assuma a responsabilidade de manter o barco flutuando para quem rema com você, mesmo que você precise se sacrificar primeiro.
2. Aja com o que você tem, onde você está
Eu não tinha carro, fui de ônibus. Não tinha almoço, passei fome. Mas eu tinha a minha principal habilidade: saber me comunicar e vender meu serviço. Pare de focar no que te falta. Foque naquilo que você controla e vá para a arena.
3. A oportunidade não bate na porta de quem fica em casa se lamentando
Se eu tivesse ficado no sofá chorando pelos pagamentos atrasados de 4 meses, aquele contrato no Porto do Açu nunca teria acontecido. Você precisa se expor para que a sorte te encontre trabalhando.
Não romantize o empreendedorismo. Se você quer o topo, prepare-se para a escalada dolorosa.
Alguém aqui lendo a coluna já passou por um momento de “lama” que foi fundamental para a “colheita” que tem hoje? Me conte sua história nos comentários.









