Com a abertura oficial do período de campanha eleitoral, a corrida das Eleições de 2026 chama a atenção não apenas pelas propostas e disputas partidárias, mas também pelo uso de apelidos de urna, referências a celebridades e bordões populares adotados por diversos candidatos em todo o Brasil. O levantamento dos registros apresentados à Justiça Eleitoral revela estratégias inusitadas de postulantes que buscam destacar suas candidaturas junto aos eleitores.
A influência da política internacional e da cultura pop aparece no uso de alcunhas baseadas em personalidades conhecidas. Em Mato Grosso, o pecuarista Vilmar Rigo concorre a deputado federal pelo Novo adotando o nome “Bolsonaro da Shopee”, em alusão ao ex-presidente e impulsionado por sua semelhança física. Em Minas Gerais, o piloto Plínio Vicentin Junior disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Novo como “Plínio Trump”, combinando a fisionomia similar à do ex-presidente norte-americano com o bordão “Make Minas Great Again”. Já em Goiás, o marceneiro Walcy Calixto Vieira concorre a deputado estadual pelo PT como “Walcy Vieira – Mick Jagger”, devido à sua semelhança com o vocalista dos Rolling Stones.
O universo da televisão e do entretenimento também marca presença na lista oficial do Tribunal Superior Eleitoral. Em Sergipe, o candidato a deputado estadual pelo Avante, Liberato Ferreira Antão, escolheu registrar na urna exatamente “Gugu Liberato”. Da mesma forma, em Minas Gerais, o bombeiro civil Geraldo Faustão Viana Nicodemos concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PP utilizando o nome “Faustão”, alcunha que inclusive integra o seu registro civil. Completando o trio de ícones da TV, o militar reformado Milton Rogério Moreira Pinto disputa o Senado pelo Mobiliza no Amazonas com o nome “Xuxa do Amazonas”.
Apelidos associados a trajetórias locais e bordões de grande apelo populares também figuram na disputa. O vereador de Manaus Carlos Alberto Brito D’Avila concorre a deputado estadual no Amazonas pelo Avante como “Pai Amado”, alcunha surgida nos tempos em que trabalhava na estatal de energia e costumava realizar orações antes de tarefas de risco. No Piauí, Francisco das Chagas Costa Oliveira tenta vaga na Assembleia Legislativa pelo União Brasil sob a alcunha de “Quem Quem”, alcunha mantida há duas décadas na política local. Também figuram no pleito candidatos como Marcelo da Rosa, caminhoneiro que tenta o cargo de deputado federal pelo PSB no Paraná sob o nome “Solitário”, e a jornalista Vanessa Santana, que concorre a deputada estadual em São Paulo pelo Novo como “Vanessa Mãe Leoa”.
No Rio de Janeiro, figuram nomes amparados em frases de impacto e autodepreciação estratégica: Keila Gomes Prado disputa a Câmara dos Deputados pelo PL como “Keila ‘Acaba Não Mundão'”, enquanto Emerson Cruz de Oliveira pleiteia o mesmo cargo pelo Mobiliza adotando o apelido de “Zé Ninguém”. Na Bahia, o influenciador Tcharles Dannilo Costa da Silva concorre a deputado federal pelo PDT sob a alcunha de “Gordinho do Momento”, identidade que já usava na comunicação ligada à vaquejada. No Ceará, Maria Nogueira Gomes tenta vaga na Assembleia pelo PRD como “Deusa do Cras”, e em Pernambuco o ex-vereador do Recife Edmar de Oliveira e Silva concorre a deputado federal pelo PL com a alcunha de “Edmar Trezoitão”.
Legislações e regras eleitorais permitem que concorrentes escolham prenomes, sobrenomes, nomes abreviados, cognomes ou apelidos pelos quais sejam popularmente reconhecidos. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral limita a escolha a um máximo de 30 caracteres e veda qualquer nome que denote desrespeito ao pudor, bem como expressões consideradas ridículas ou irreverentes pela Justiça Eleitoral.










