A histórica vocação de Campos dos Goytacazes como a “capital das bicicletas” — título conquistado graças à sua topografia plana, que sempre favoreceu o uso dos pedais — enfrenta um momento de profunda transformação e desafio. A popularização das bicicletas elétricas, agora comercializadas até em grandes redes de supermercados, mudou a dinâmica das ruas. O que antes era visto como uma alternativa lúdica e sustentável, transformou-se em um gargalo de segurança pública, refletido no aumento assustador do número de acidentes envolvendo esses veículos e motocicletas.
De acordo com dados recentes, o volume de bicicletas elétricas em circulação no município registrou um salto impressionante de 1.000%. Esse crescimento veloz e sem uma devida preparação dos condutores sobrecarregou a infraestrutura urbana e acendeu o alerta vermelho para as autoridades de trânsito.
Diante desse cenário complexo, especialistas apontam que a resposta não está na proibição, mas no ordenamento e na conscientização. O arquiteto Renato Siqueira, responsável pela elaboração do Plano de Mobilidade de Campos, defende que a chave para mitigar a crise nos cruzamentos da cidade é a educação.
“A solução estrutural e de longo prazo está na capacitação. Precisamos preparar o cidadão para essa nova realidade de convivência entre modais”, afirma Siqueira.
O Plano de Mobilidade Urbana já prevê uma ferramenta estratégica para enfrentar o problema: a criação da Escola Municipal de Trânsito (Emtran). A instituição terá como foco principal capacitar e orientar os condutores desses novos veículos elétricos, garantindo que conheçam as regras de circulação e os limites de velocidade.
Integração com o IMTT
A Emtran atuará sob a tutela do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), que ficará encarregado de gerenciar a fiscalização e a implementação das diretrizes pedagógicas.
O desafio imediato das autoridades locais será transformar a cultura do trânsito campista, garantindo que a modernização tecnológica trazida pelas e-bikes não descaracterize a segurança e a harmonia que historicamente marcaram as ciclovias da maior planície do estado.









