Uma equipe formada por profissionais de diferentes áreas iniciou uma nova etapa de investigação sobre o avanço do mar em Atafona e Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. O trabalho de campo começou nesta semana e faz parte de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) contratado pela Prefeitura.
Com duração prevista de 18 meses, o estudo reúne 29 profissionais e busca compreender, de forma integrada, os fatores que influenciam a transformação da faixa costeira. Serão analisados aspectos relacionados ao oceano, ao rio Paraíba do Sul, às correntes, ondas, sedimentos, ambientes naturais, drenagem, infraestrutura e ocupação do território.
Em Atafona, o problema da erosão costeira se arrasta há décadas e já provocou a perda de áreas urbanizadas. Levantamentos históricos apontam que cinco quarteirões foram totalmente perdidos e outros sete sofreram danos parciais até 2019. Ao mesmo tempo, estudos indicam que determinados trechos do litoral de São João da Barra apresentam comportamento diferente, com avanço da faixa de areia, o que reforça a necessidade de compreender a dinâmica de cada região antes da adoção de medidas.
Nesta primeira fase, os técnicos realizam medições no rio Paraíba do Sul e na área costeira, incluindo o acompanhamento de níveis da água, correntes, ondas e sedimentos. Posteriormente, essas informações serão utilizadas em modelos matemáticos para simular diferentes cenários e avaliar quais intervenções podem apresentar melhores resultados.
Entre as alternativas que poderão ser estudadas estão a reposição de areia nas praias, recuperação de dunas e praias e a instalação de estruturas de proteção costeira. A definição de uma solução, no entanto, dependerá dos resultados obtidos ao longo da pesquisa.
O levantamento também terá participação direta dos moradores. Estão previstas entrevistas com pelo menos 211 pessoas — 175 em Atafona e 36 no Açu — para reunir informações sobre os impactos da erosão na rotina da população e em atividades como pesca, navegação, turismo e lazer.
Para facilitar esse contato, serão instaladas as chamadas Centrais da Erosão nas duas localidades. Os espaços funcionarão como pontos de informação, permitindo que moradores acompanhem o andamento do estudo, tirem dúvidas e compartilhem relatos sobre as mudanças observadas na região.
O contrato para a realização do EVTEA foi firmado pela Prefeitura de São João da Barra por pouco mais de R$ 5,6 milhões. Ao final dos 18 meses, a expectativa é que o município tenha um diagnóstico técnico, ambiental, econômico e social capaz de orientar futuras decisões e auxiliar na busca por recursos para eventuais obras de contenção da erosão.









