O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou oficialmente sua desistência de concorrer a uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o político classificou o recuo como a decisão “mais difícil” de sua trajetória e afirmou que a prioridade agora será provar sua inocência diante das recentes investigações da Polícia Federal (PF).
A pré-candidatura de Castro, lançada em fevereiro, ruiu após uma sequência de reveses jurídicos. Em março, ele renunciou ao cargo de governador às vésperas de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico no pleito de 2022. O golpe final, contudo, veio com duas operações da PF deflagradas em um intervalo de apenas 15 dias.
O peso das investigações
A situação de Castro tornou-se insustentável depois que ele passou a ser investigado em dois inquéritos sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF):
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Caso Banco Master: Uma operação autorizada pelo ministro André Mendonça investiga um suposto investimento “temerário” de R$ 3 bilhões do Rioprevidência (o fundo de pensão dos servidores estaduais) no banco. A PF aponta indícios de facilitação devido à proximidade de Castro com o dono da instituição.
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Caso Refit: Sob ordens do ministro Alexandre de Moraes, outra ação apurou o uso da máquina pública para beneficiar a refinaria (antiga Manguinhos) em um esquema de fraudes fiscais.
Em seu pronunciamento, o ex-governador defendeu a lisura de sua gestão e criticou o impacto das denúncias sobre sua família. “Resolvi retirar a minha candidatura para focar completamente a minha defesa. (…) Em épocas pré-eleitorais, reputações são destruídas sem o menor pudor, simplesmente por uma busca incessante pelo poder”, desabafou, assegurando que seus advogados apresentarão respostas robustas às acusações.
Alívio nos bastidores do PL
A saída de Cláudio Castro da disputa já era esperada e, de certa forma, desejada pela cúpula do Partido Liberal (PL). Nos bastidores, correligionários viam o ex-governador como uma “âncora” capaz de arrastar o desempenho de outros aliados no estado, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Douglas Ruas (PL), candidato ao governo fluminense. Castro vinha sendo isolado politicamente e excluído de agendas públicas recentes.
A chapa original previa Douglas Ruas ao governo, Rogério Lisboa (PP) como vice, e as duas vagas ao Senado divididas entre Márcio Canella (União) e Cláudio Castro.
A disputa pela vaga
Apesar do recuo, Castro enfatizou que não está encerrando sua carreira política, definindo o momento como um “passo atrás necessário”.
Com a vaga aberta, a liderança do PL já articula um substituto, decisão que deve passar pelo crivo final de Flávio Bolsonaro. Os nomes mais cotados no momento são os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, embora o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi e a mãe do senador, Rogéria Bolsonaro, também corram por fora.









