Quatro anos após o assassinato da professora Luanda Bittencourt, de 46 anos, a Justiça do Rio de Janeiro concluiu o julgamento do responsável pelo crime. Em sessão realizada no Tribunal do Júri de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, o ex-marido da vítima, o policial civil aposentado José Ricardo, foi condenado a 28 anos de reclusão em regime fechado pelo crime de feminicídio.
O julgamento, conduzido ao longo de toda a quarta-feira, contou com a análise das provas periciais e a oitiva de testemunhas, incluindo amigos da professora e os filhos do casal. Em seus depoimentos aos jurados, os filhos relataram o histórico de instabilidade na convivência familiar e descreveram o réu como uma figura de comportamento agressivo, recordando episódios de violência física sofridos durante a infância, embora tenham ressaltado que não chegaram a presenciar agressões corporais contra a mãe. Durante a sessão, o próprio acusado admitiu ter efetuado os disparos contra a ex-companheira.
O crime ocorreu em fevereiro de 2022, no centro da cidade, dentro de um estacionamento localizado na Rua Treze de Maio. Na ocasião, a docente foi atingida por três tiros que atingiram a região do tórax, do abdômen e da perna. Socorrida e levada ao Hospital Ferreira Machado, Luanda permaneceu internada sob cuidados intensivos por alguns dias, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Após a ação criminosa, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campos assumiu as investigações. A prisão do ex-agente ocorreu dois dias depois do episódio, quando ele foi localizado e detido por agentes da Polícia Rodoviária Federal na BR-101, na altura do município de Casimiro de Abreu. O caso gerou intensa comoção na região, motivando mobilizações públicas de familiares e amigos em frente ao Fórum da comarca para cobrar celeridade e justiça.









