Quem usa o transporte público em Campos sabe que há muito tempo o serviço não atende a população. Em praticamente todos os bairros, os passageiros chegam a esperar por até duas horas por um coletivo. Essa realidade era quando os ônibus dividiam os itinerários com as vans. Se já era ruim quando havia, mesmo que precário, as duas opções, imagine como está sendo agora que não há mais vans em vários bairros e localidades. Nesta quarta-feira (22), primeiro dia de decisão judicial que obriga as vans a paralisarem os serviços, o que se viu foi pontos lotados, reclamação e muita incerteza.
O prefeito Wladimir Garotinho usou as redes sociais para dizer que a prefeitura já está recorrendo da decisão.
“Estou gravando esse vídeo para dar uma explicação a população do interior de Campos principalmente dos distritos mais afastados, que hoje amanheceram sem o transporte das vans, e muitas localidades o ônibus não foi para fazer o transporte dos passageiros. O que aconteceu é que as empresas de ônibus entraram na Justiça alegando que as vans não podem fazer o trajeto que em tese seria das empresas de ônibus, houve uma decisão judicial dando direito as empresas de ônibus para que tenham exclusividade nas linhas, porém a decisão judicial também diz que já que as vans não vão mais poder fazer, as empresas de ônibus têm que cumprir o horário e tem que cumprir o itinerário para atender a população. Hoje pela manhã pedimos ao IMTT e a Guarda Municipal para acompanhar e muitas linhas estão sem nenhum tipo de transporte, as empresas de ônibus não estão cumprindo com a decisão judicial. Queria informar ao povo de Campos que decisão judicial se cumpre, a prefeitura obviamente está recorrendo, mas que nós vamos notificar as empresas de ônibus, vamos mostrar ao juiz que deu a sentença que elas não cumpriram a parte que cabia a elas, que era colocar o transporte na linha”, disse.
A ação foi movida pela empresa de ônibus Rogil reivindicando exclusividade nas rotas. Em geral, as linhas afetadas são: Três Vendas, Sapucaia, Santa Cruz, Rio Preto, Ururaí, Caxeta, Ibitioca, Lagoa de Cima, Imbé, Pernambuca e Serrinha. Todas com dentido ao Centro da cidade.
Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), José Francisco Rodrigues, a decisão é acertada, porém, o tempo em que ela entrou em vigor, estabeleceu um descompasso. “Claramente as empresas de ônibus não terão condições de atender imediatamente a demanda”, disse o presidente da entidade.
O presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Nelson Godá, informou que a Procuradoria Geral do Município vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) contra a decisão judicial e tentar reformá-la, com o argumento de que a retirada das vans irá penalizar a população, já que as empresas de ônibus não terão condições de absorver a demanda de passageiros.
“A prefeitura entrou com recurso e está buscando, junto com as concessionárias, repactuar o sistema, para que a população não seja prejudicada e nem que os trabalhadores do transporte alternativo deixem de atuar. A situação das empresas também está sendo considerada, uma vez que elas também têm sofrido com os custos altos e a redução de passageiros durante a pandemia”, disse nota da prefeitura.









