O senador Marcos do Val (Podemos-ES) enviou na segunda-feira (3) um requerimento para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra os métodos de apuração das pesquisas eleitorais dos principais institutos brasileiros. Ele defende investigar o sistema e os modelos adotados na realização dos levantamentos eleitorais.
“A gente precisa discutir e ver o que está acontecendo. Precisamos intimar esses proprietários, sabatinar os técnicos, investigar a fundo”, disse Do Val, em entrevista nesta terça-feira, 4, ao Jornal da Manhã , da rádio Jovem Pan.
Segundo o parlamentar, a comissão seria necessária para “aferir as causas das expressivas discrepâncias entre as referências prognósticas, principalmente de curtíssimo prazo, e os resultados apurados”. Com a diferença entre as pesquisas e o resultado das urnas, parlamentares propuseram diferentes ações. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), anunciou ontem que vai apresentar um projeto de lei para criminalizar o erro nas pesquisas.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal reeleito e filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), disse que começou a coletar assinaturas para abrir uma comissão para investigar os institutos de pesquisa.
Houve erros grosseiros, como os mais de 10 pontos porcentuais em relação ao que apontavam as pesquisas na véspera da eleição e o resultado das urnas no domingo 2, em desfavor do presidente Jair Bolsonaro (PL). A diferença foi de 5 pontos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 48% e Bolsonaro com 43%. Também houve erros significativos para os cargos de governador e senador em vários Estados.
A campanha eleitoral deste ano foi marcada por uma profusão de sondagens jamais vista. Ao menos 22 empresas forneceram serviços a veículos de comunicação, bancos, agências de publicidade, ramo imobiliário e associações de lojistas ou supermercados. Com o fim das manchetes da covid, as porcentagens sobre a corrida eleitoral passaram a inundar o noticiário do consórcio da imprensa. Todas elas apontavam para o mesmo norte: a dianteira de Lula para Jair Bolsonaro era tão grande que a eleição poderia ser resolvida no primeiro turno.
Na véspera das urnas, a vantagem do petista variava de 7 a 14 pontos. O placar final registrou 5 pontos. Todos os institutos erram — alguns, erraram feio. Dessa lista, dois casos desafiam a ciência estatística: o Datafolha, que pertence ao grupo Folha de S.Paulo/UOL/Piauí, e o Ipec (ex-Ibope), contratado pela Rede Globo. Ambos afirmaram que Lula tinha 14 pontos a mais do que Bolsonaro. No caso do Datafolha, o levantamento foi classificado como infalível pelos colunistas do consórcio porque ouviu 12.800 pessoas em 310 cidades, com margem de erro de 2 pontos percentuais , uma verdadeira vergonha logo após o 1° turno das eleições ficando muito nítido que hoje vivemos uma verdadeira mentira quando se trata de pesquisas eleitorais visto que esses institutos visão mais manipular o voto do que refletir a realidade das urnas.

*Alexandre Manske tem formação superior em processos gerenciais, é pós-graduado em políticas nacionais e é técnico em planejamento integrado











