Por: Mateus Chagas.
A escalada de casos de feminicídio registrada nos últimos meses em Campos dos Goytacazes acompanha uma tendência observada em todo o Brasil. Dados recentes de órgãos de segurança pública mostram que, apesar de avanços legislativos, a violência letal contra mulheres permanece em ritmo alarmante, reacendendo o debate sobre a necessidade de ações preventivas mais profundas, especialmente no campo educacional.
Em Campos, autoridades relatam que a maior parte dos casos tem relação direta com violência doméstica, histórico de agressões anteriores e dificuldade das vítimas em acessar ajuda a tempo. Em várias ocorrências, familiares afirmam que os sinais já estavam presentes, mas não foram identificados ou compreendidos.
Para especialistas, o combate ao feminicídio começa muito antes do crime ocorrer.
Pesquisadores e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres reforçam que a formação social é um dos pilares para reduzir a violência de gênero. Eles defendem que escolas, famílias e espaços comunitários devem trabalhar, de forma integrada, valores como respeito, igualdade e resolução não violenta de conflitos.
“A proposta é educar meninos e meninas para entender que ninguém pertence a ninguém. Muitos dos feminicídios têm origem em relações de controle, ciúme e posse. Isso só se desconstrói com educação”, afirma uma psicóloga que atua em projetos de prevenção à violência doméstica no Norte Fluminense.
A proposta, segundo especialistas, não é transformar escolas em espaços de conflito ideológico, mas reforçar noções universais de convivência, limites, empatia e direitos humanos.
Outro ponto considerado crucial é a orientação às famílias. A reprodução de comportamentos violentos ou machistas dentro de casa impacta diretamente a formação das crianças.
“A escola é fundamental, mas a família precisa assumir sua responsabilidade. Muitos agressores foram ensinados desde pequenos a associar masculinidade com autoridade e controle. Mudar isso exige diálogo, presença e acompanhamento familiar”, afirma uma assistente social que atende vítimas de violência na cidade.
O Brasil possui um dos conjuntos legais mais abrangentes do mundo para proteção das mulheres, incluindo a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), que tipifica o assassinato de mulheres por motivo de gênero como crime hediondo.
No entanto, especialistas apontam que a efetividade depende de investimento, fiscalização e articulação entre órgãos públicos.
O município tem ampliado campanhas de conscientização e fortalecido a rede de atendimento, incluindo delegacias especializadas, centros de referência e parcerias com entidades da sociedade civil. Mesmo assim, a demanda ainda ultrapassa a capacidade dos serviços.
A onda de feminicídios acende um alerta para toda a sociedade. A responsabilidade pela proteção das mulheres não é apenas do poder público, mas também das escolas, famílias, comunidades e de cada cidadão.
A mudança começa com atitudes simples: ouvir, apoiar, orientar e abandonar padrões que reforçam desigualdades. A prevenção não se faz apenas com leis, mas com educação, a chave para romper ciclos de violência e salvar vidas.









