Resiliência, foco e muito apoio. Foram esses os três pilares necessários para que a nutricionista Sol Meneghini conseguisse iniciar o processo de recuperação após um relacionamento abusivo. Estima-se que em mais da metade dos relacionamentos já tenha acontecido alguma atitude abusiva e engana-se quem pensa que isso só acontece com mulheres frágeis. A profissional de saúde é a prova disso e desabafa sobre estratégias que buscou para se livrar da situação e reconstruir uma vida saudável: “Sofri violência psicológica, patrimonial, sexual e física. Era rastreada 24h por dia, mas meu trabalho foi essencial para sair disso”.
“O relacionamento abusivo não começa com tapas ou ameaças de morte. Antes disso, vem os maus tratos, as brincadeiras de mau gosto… Mesmo que as agressões não se manifestem fisicamente, elas afetam muito o psicológico”, assume Sol, que também é personal trainer.
Apesar de hoje ser um grande nome na área, Sol revela ainda estar em recuperação: “É um processo lento e doloroso. Quem sofre violência doméstica, como eu sofri com muitos agravantes, não sai tão fácil da depressão. Estou na fase da aceitação e de tratamentos psicológico, psiquiátrico, integrativo e medicamentoso. Precisei ter muita força para sair disso”, conta. “Preciso me recuperar porque tenho um filho autista que precisa de mim, do meu trabalho, mas além disso, quero mostrar para quem me acompanha que qualquer mulher pode passar por isso, infelizmente”, lamenta.
Além do filho, fator principal para que ela tirasse forças de onde não tem, segundo a mesma, o trabalho também foi fundamental. Seu conhecimento sobre alimentação saudável e exercícios têm sido fatores importantes durante a jornada: “Geralmente, a vítima acaba caindo em depressão e, neste momento, se alimentar bem faz diferença. No meu caso, ouvia que estava magra demais, que precisava engordar e isso me deixava triste, fazia eu me sentir desvalorizada, diminuída, mais triste a cada dia. Estudos apontam que pessoas que possuem um padrão de dieta saudável conseguem reduzir em até 15% o risco de transtorno depressivo”, explica ela, que ao longo da carreira, já fez parte da vida de muitas pacientes. “Além disso, treinar também foi importante. Cinco hormônios são liberados durante o exercício físico e um deles é a serotonina, conhecida como o ‘hormônio da felicidade’, que atua em diversas funções no organismo e está relacionada à estabilidade emocional”.
Sol recorda que a violência psicológica que sofreu foi extremamente grave: “Sou autista, tenho TDAH e foi muito pesado tudo que passei. Além de mexer com meu estado mental, também sofri violência patrimonial, já que ele tirou tudo que eu tinha, violência sexual, porque eu era dopada e tinha relações sexuais sem meu consentimento e, por vezes, agressão física. Eu não podia ficar sozinha com amigos ou familiares, ele estava comigo o tempo todo, era rastreada 24 horas por dia”, conta.
A especialista finaliza chamando atenção para os sinais de alerta. Ela assume que, na época, nada disso era muito óbvio, mas hoje consegue enxergar: “Todo aquele excesso de amor, insistência para que eu mudasse, uma superproteção sem sentido, as agressões verbais e psicológicas… Tudo estava ligado ao abuso. Precisei ter força e acreditar que eu seria capaz, arregaçar as mangas e ir em busca do meu propósito para melhorar. Ajudo muitas pessoas com meu trabalho, mas o meu trabalho foi quem me ajudou através de treinos e alimentação saudável. Entendi da pior forma que mulheres fortes também sofrem abusos”, completa.








