A mobilidade urbana em Campos foi tema de um debate complexo na Câmara de Vereadores, onde uma audiência pública de iniciativa do vereador Anderson de Matos acendeu um alerta vermelho para o aumento expressivo de acidentes envolvendo novos modais, como patinetes, scooters e bicicletas elétricas. O encontro reuniu uma ampla frente de autoridades municipais e representantes da sociedade civil, incluindo a Guarda Civil Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, diretores de saúde, além de lideranças do comércio local e empresários, todos focados em encontrar saídas para o crescimento desordenado desses veículos nas vias públicas.
Durante a sessão, o autor da proposta frisou que a raiz da solução para esse problema começa no comportamento preventivo do cidadão. O parlamentar ressaltou que atitudes banais, mas essenciais, como parar e olhar atentamente para ambos os lados antes de fazer uma travessia, têm sido negligenciadas em larga escala pela população, o que acaba anulando o impacto de qualquer intervenção estrutural que o município decida implementar. De forma a tirar as discussões do papel, o legislador antecipou que todas as contribuições recolhidas no plenário serão formalizadas em reuniões setoriais e ofícios direcionados ao poder executivo, exigindo providências concretas a curto prazo.
A urgência das medidas foi endossada pelo setor de saúde pública através do Hospital Ferreira Machado. O diretor do pronto-socorro da unidade de saúde, Fábio Macedo, expôs dados preocupantes que apontam para uma sobrecarga no sistema de atendimento provocada pelas vítimas do trânsito. Embora as motocicletas convencionais ainda permaneçam no topo dos registros estatísticos de colisões, o médico demonstrou profunda inquietação com a gravidade dos traumas decorrentes de acidentes com os novos veículos elétricos, destacando que muitos condutores circulam em velocidades incompatíveis com a segurança e sem qualquer tipo de instrução prévia para compartilhar as ruas. Como exemplo dessa alarmante realidade, ele citou o trágico episódio de uma criança de apenas nove anos que sofreu uma mutilação na perna.
O aspecto técnico e estrutural da infraestrutura viária da cidade recebeu duras críticas por parte do comércio organizado. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos, Fábio Paes, apontou um sério atraso histórico nas políticas de trânsito locais, afirmando que o município já se encontra atrasado em relação às necessidades atuais e lembrando que a última intervenção urbana de grande porte ocorreu no início da década de 2000, com a abertura da avenida Arthur Bernardes. Para a liderança lojista, as ciclofaixas existentes foram implantadas sem a devida padronização técnica e acabam expondo os ciclistas a perigos severos, agravando o cenário já fragilizado pela precariedade do transporte público coletivo, que obriga os moradores a migrarem para o uso de bicicletas sem que haja garantias para a sua integridade física.
Por fim, os órgãos de fiscalização e planejamento de trânsito concordaram que o avanço tecnológico atropelou a capacidade de regulamentação e educação civil. O coordenador de trânsito da Guarda Civil Municipal, Anderson Batista, observou que uma parcela significativa das pessoas que pilotam as bicicletas eletrificadas desconhece totalmente as regras básicas de circulação e os direitos e deveres dos condutores, justificando a importância do debate público como um espaço de disseminação de informações e humanização das vias. Em consonância, o diretor de projetos do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte, Paulo Dias, destacou a necessidade imperiosa de uma cooperação direta entre o setor privado e a administração municipal para reverter esse quadro por meio de campanhas educativas maciças nas bases escolares, visto que a proliferação da desinformação caminha no mesmo ritmo acelerado da explosão comercial do modal elétrico na região.









