Mesmo diante de garantias oficiais prestadas pelo Governo do Estado de que não há qualquer plano de remoção sistemática de custodiados, dezenas de parentes de pessoas privadas de liberdade realizaram um ato público no centro de Campos dos Goytacazes, na tarde desta segunda-feira (24). O protesto concentrou-se nos arredores do Fórum Juíza Maria Tereza Gusmão Andrade e provocou retenção no fluxo de veículos pela Avenida XV de Novembro. A mobilização refletiu o desespero das famílias perante especulações de que detentos da região Norte e Noroeste Fluminense seriam remanejados para o complexo penitenciário da capital.
O clima de tensão e incerteza começou a se espalhar ao longo da última semana por meio de boatos que circulavam entre parentes de custodiados originários de municípios como Campos, Macaé e São Francisco de Itabapoana. Temendo a perda do contato regular com os apenados, os manifestantes buscaram atendimento nas portas do Judiciário local para cobrar posicionamentos definitivos. Entre os relatos expostos durante o ato, a inviabilidade financeira sobressaiu-se como a principal angústia dos familiares, que destacaram as despesas elevadas com transporte e logística caso precisem se deslocar até a Região Metropolitana para as visitas periódicas, rotina que muitos já vivenciaram no passado em unidades como o Complexo de Gericinó, em Bangu.
Em resposta às especulações, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) reiterou que o rumor sobre uma transferência coletiva para o Rio de Janeiro carece de qualquer fundamento técnico ou administrativo. O órgão estadual assegurou que não existe cronograma, ordem judicial ou diretriz interna voltada a realizar o deslocamento em massa dos presos alocados no interior. Apesar do desmentido oficial já veiculado formalmente no último sábado, os manifestantes decidiram manter a pressão popular até que obtenham esclarecimentos diretos das autoridades judiciais da comarca.










