Que história bacana! Adahir Cristina Moll, procuradora do município e advogada, começou a correr com 44 anos! Hoje é ultramaratonista, faz a modalidade corrida de montanha, também chamada de trail run.
Tininha Moll, como é carinhosamente conhecida, contou que: “quando mais nova fui bailarina clássica por mais de 10 anos, talvez daí a disciplina nos treinos”. Mas no início foi difícil, na minha primeira corrida de 4 km achei que ia morrer do coração e disse para meu treinador que nunca mais iria fazer aquilo… só que não foi assim que aconteceu (risos)”.
Adahir continuou a treinar e aí viu que as coisas ficavam mais fáceis com os treinos semanais e foi aumentando a distância, participando de provas de 8 km e10 km. “Um dia me convidaram para participar de uma corrida em trilha, seria em Ilha Grande, sabia pouco a respeito da prova, apenas que seria em meio a natureza, e lá fui eu… me apaixonei pela modalidade!” Daí em diante Tininha passou a correr provas em meio à natureza, inclusive, subindo montanhas. Com o passar do tempo foram aumentando as distâncias percorridas, a resistência também aumentou, trazendo possibilidade de correr por longos períodos. Automaticamente vieram as provas de 21 km, 35 km, 42 km e algumas provas internacionais.
“Fiz minha primeira ultramaratona (acima de 42 km) em 2016. Eram 55 km pelas montanhas da Serra dos Órgãos, mas fui cortada no km 40, pois chovia, baixou a neblina e a montanha ficou perigosa. Em provas na natureza temos que respeitá-la. Voltei a completar a distância no final do ano de 2017 em Bombinhas/SC numa prova chamada Indomit”.
No início de 2017, Cristina realizou a primeira Ultra internacional. Uma prova de 100 km em três dias, atravessado a Cordilheira dos Andes, entre a Argentina e Chile, com seu treinador Fernando Fantinatti e outro aluno. Dormiram em barracas no meio da floresta em frente a um lago de degelo, com a alimentação fornecida pela prova! “Foi uma experiência incrível”.
Em 2019 Adahir participou de uma Ultramaratona na Patagônia, em San Martin de Los Andes. “A Cidade é linda, no inverno é uma estação de esqui”. A prova terminou com 75 km em quase 18 horas correndo, parando apenas para comer e trocar roupa. “Passamos a noite correndo e no cume da montanha houve um tipo de nevasca, com ventos muito fortes, quase morremos de frio, mas quando amanheceu o dia consegui seguir em frente e terminar a prova”.
Ainda naquele ano, Tininha correu várias provas de montanha no Brasil, como La Mison, atravessando a Serra fina e a Ultramaratona de Perdidos, no Paraná. Moll revela que em 2020 planejava fazer uma prova na Europa chamada UTMB, na qual iria cruzar os Alpes suíços por três países,: tália, Suíça e França. Mas devido a pandemia não foi possível. “Mas os sonhos não morrem, apenas são transferidos de data!” Adahir deixa claro que para ser ultramaratonista é necessária muita dedicação. Existe toda uma preparação por trás, com treinos de força três vezes por semana e alongamentos para não ter lesão, treinos de corridas semanais e longos nos fins de semana e uma alimentação boa e suplementação para competições mais longas feitas por uma nutricionista, além de muita fisioterapia e alguns ! “Hoje tenho 50 anos e corro montanhas. Então digo que podemos tudo nesta vida, só precisamos ter coragem para seguir adiante e sempre curtir a jornada, o caminho que pode ser lindo até chegar o destino”. Sinto-me orgulhoso pela oportunidade de descrever mais uma história de superação, quanto mais se tratando de minha ex-professora dos tempos de faculdade. Adahir Cristina Moll é exemplo de mais mulher guerreira, mãe, dona de casa e trabalhadora, que vem se superando no dia a dia! “Viva bem o caminho, superando-se a cada dia, pois o destino é logo ali”.

*Mateus Chagas é formado em direito, gerente de contratos da W Seg e entusiasta do esporte campista









