Em audiência pública realizada na Câmara Municipal, a Secretaria Municipal de Saúde e a Fundação Municipal de Saúde de Campos apresentaram o Relatório Detalhado do Primeiro Quadrimestre de 2026. O encontro, presidido pelo vereador Leon Gomes, serviu para prestar contas das ações, investimentos e serviços realizados na saúde municipal nos primeiros quatro meses do ano, cumprindo as exigências da legislação vigente.
Durante a prestação de contas, foram detalhados os dados da execução orçamentária e financeira do setor. O relatório apontou que a receita de custeio, somando recursos federais, estaduais e rendimentos, atingiu o montante de R$ 251.736.504,39, enquanto as emendas de Média e Alta Complexidade e de atenção especializada totalizaram R$ 2.661.537,70. No total, a aplicação de recursos chegou a R$ 371.125.876,06, valor que engloba o pagamento de pessoal e encargos, contratualizações, compra de medicamentos e insumos, além da execução de despesas remanescentes do ano anterior.
O ponto de maior impacto e comoção pública na audiência foi a grave situação de superlotação do Hospital Ferreira Machado, gerada pelo aumento expressivo de acidentes de trânsito. O presidente da Fundação Municipal de Saúde, Arthur Borges, revelou um alarmante crescimento de 244% nos atendimentos de emergência envolvendo motociclistas e ciclistas, incluindo usuários de bicicletas elétricas. O levantamento apontou ainda que, somente entre janeiro e abril de 2026, o hospital registrou 33 óbitos em decorrência desses acidentes. Diante dos números, o secretário municipal de Saúde, Paulo Hirano, classificou o cenário como uma verdadeira epidemia de saúde pública, criticando o desrespeito às normas de trânsito e a falta de equipamentos de proteção, e fez um apelo para que a Câmara e a sociedade se unam para enfrentar o problema.
Apesar da crise nos atendimentos de trauma, os gestores ressaltaram avanços significativos na rede municipal. Arthur Borges destacou o aumento no número de cirurgias graças à compra de novos equipamentos hospitalares, além da expansão do Programa de Residência Médica e de convênios educacionais que hoje garantem a atuação de cerca de 12 mil estagiários na rede de saúde. O balanço do quadrimestre também englobou melhorias nos serviços de saúde mental, no Centro de Controle de Zoonoses, na expansão do atendimento odontológico e nas ações da Vigilância Sanitária.
Na área de Vigilância em Saúde, o subsecretário Rodrigo Carneiro apresentou um panorama com desafios e conquistas. Ele demonstrou forte preocupação com a baixa adesão popular às vacinas contra o sarampo e a poliomielite, anunciando que a Saúde fará uma parceria com a Secretaria de Educação para reverter esse quadro nas escolas. Por outro lado, Carneiro comemorou duas importantes vitórias obtidas por meio do Centro de Doenças Infecto-Parasitárias: o município de Campos zerou a transmissão materno-infantil do vírus HIV e conseguiu reduzir significativamente os casos de tuberculose entre a população privada de liberdade.
Por fim, o secretário Paulo Hirano encerrou a apresentação celebrando a reestruturação e a expansão histórica da Atenção Primária no município. Ele relembrou que a gestão assumiu o município em 2021 com uma cobertura muito baixa e diversas unidades fechadas. Atualmente, a cidade conta com 45 Unidades Básicas de Saúde da Família e quatro Unidades Básicas de Saúde. Essa ampliação estrutural foi acompanhada pelo fortalecimento do corpo clínico, com o número de médicos da Estratégia Saúde da Família saltando de apenas três profissionais para 70 em atividade, o que já resultou em quase 70 mil cadastros domiciliares, territoriais e individuais realizados na rede.










