Vânia Cruz, profissional de Educação Física formada em 2007, iniciou no esporte há 25 anos, em uma época que não se via mulheres em quadras de futevôlei. Vânia menciona que decidiu aprender a modalidade quando viu Rafael jogar, atleta de São João da Barra, com destaque estadual, que fazia arte com a bola. “Era plástico!”
Vaninha, como é popularmente conhecida, conta que iniciou com o professor Caniggia, seu primeiro incentivador. Mas que acabou esfriando quando mudou para Campos. “Dez anos depois a vontade batia no peito novamente, foram inúmeras vezes que eu assistia de fora esperando uma chance de alguém me convidar para jogar. Certo dia cheguei à quadra onde havia três duplas masculinas e pedi para jogar. Eles olharam com desconfiança e certamente pensando que eu iria atrapalhar a brincadeira deles. Entrei, joguei, fiz amizades e até hoje quando tenho oportunidade jogo com eles”.
Daí por diante, Cruz começou a levar o esporte um pouco mais a sério, treinando mais forte e buscando participar de torneios. Foi com o treinador e parceiro de dupla Barcellos que começou então a disputar torneios regionais.
Já havia passado mais de 10 anos e, com 35 anos de idade, a vontade era de se divertir e aprender mais, já que vida de atleta para se iniciar nessa idade fica difícil. Participando de diversos torneios, em apenas dois não subiram no pódio, isso com atletas profissionais de alto nível.
Atualmente, Vaninha está afastada de competições, voltando aos poucos após lesão no joelho. Perguntada sobre a sua rotina, ela disse: “estou me dedicando a ensinar as meninas para que não percam o tempo que perdi e tenham as oportunidades que eu não tive”. “É lindo ver o crescimento da modalidade em âmbitos gerais, principalmente vendo a presença delas aumentar cada vez mais”.
Há alguns anos era comum presenciar o preconceito de quem via uma mulher jogando no meio de homens, mas tudo isso ficava para trás quando as meninas entravam nas quadras e mostravam que poderiam estar no meio deles, deixando claro para que vieram!
Hoje o público alvo da professora Vaninha são meninas e mulheres que estão iniciando no esporte a partir do zero. É dada oportunidade para que elas fiquem à vontade, errem sem medo e sem julgamentos, para que dessa forma possam estar em um ambiente confortável, não enfrentando as mesmas dificuldades que os alunos enfrentavam.
Vaninha afirma que sonha em ver o Futevôlei se tornar um esporte olímpico, inclusive gostaria de ver os governantes apoiando e incentivando os atletas. Grande parte dos esportistas não vive somente do futevôlei, muitos dão aula e até acumulam funções.
“Sinto-me orgulhosa de ser a pioneira na cidade e a única professora de futevôlei em um cenário dominado pelos homens”.
Vaninha ainda menciona que muitos procuraram praticar futevôlei para emagrecer, algumas porque querem aprender a modalidade e outras para manutenção da saúde. Inclusive, existe histórico de aluna que teve problemas com depressão e ansiedade.
Provavelmente já pipocaram na sua timeline algumas pessoas praticando beach tennis ou até mesmo futevôlei. Nesse momento pandêmico, parece que essas são as modalidades que acolheram as pessoas e inúmeros lugares se estruturaram, mesmo em cidades não litorâneas, para receber essas práticas. Isso deixa claro que o futevôlei é uma modalidade que traz inúmeros benefícios à saúde e trabalha diversos grupos musculares ao mesmo tempo.

*Mateus Chagas é formado em direito, gerente de contratos da W Seg e entusiasta do esporte campista









