Os médicos Paulo César Mota da Rocha, cirurgião, Hugo Manhães Areas, Luis Bernardo Vital, anestesista, e Rocklane Viana Areas, ortopedista, irão a júri popular em julgamento que definirá a vidas dos profissionais após suposto erro médico que resultou na morte do jovem Fernando Iuri Chagas Rangel, que tinha 19 anos, em 2013.
Ele era militar do exército, e morreu após complicações neurológicas decorrentes de uma cirurgia na clavícula, realizada em um hospital particular do município.
A mãe do jovem, Fernanda Chagas, iniciou por conta própria o levantamento de informações aprofundadas sobre o que realmente aconteceu para que seu filho viesse a óbito, e foi assim que conseguiu levantar as provas necessárias para o indiciamento em 2014, de quatro médicos que participaram da cirurgia.
Em 2017, o juiz da 1ª Vara Criminal de Campos, Bruno Rodrigues Pinto, aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual, por meio da 1ª e da 2ª Promotorias de Justiça de Investigação Penal, a desfavor de quatro médicos, que foram denunciados por homicídio doloso e falsidade ideológica.
Segundo o Ministério Público divulgou na época, o dolo eventual ficou caracterizado pelo fato dos médicos terem assumido o risco da morte de Fernando Iuri, na época com 19 anos, com a omissão de deveres de cuidado, ao injetarem pesadas drogas sem ofertar oxigênio suplementar e praticando cirurgias e anestesias simultâneas.
Os vídeos da cirurgia teriam revelado que o anestesista não agiu de forma a conter os riscos mortais que decorreriam da depressão respiratória advinda da sua ação médica, mantendo a vítima em respiração espontânea em ar ambiente, sem ofertar aporte suplementar de oxigênio e, principalmente, sem manter vigilância constante e permanente do paciente, conforme preconiza o Conselho Federal de Medicina. Os vídeos também revelariam que, depois de disparados os alarmes de anormalidades vitais, o anestesista teria permanecido alheio e indiferente ao quadro fisiológico que se instalava em Fernando Iuri, ficando inerte por mais de seis minutos. Segundo o MP, o anestesista ficou fora da sala cirúrgica durante mais de 36 dos 45 minutos de cirurgia, até soarem os alarmes dos sinais vitais monitorados.
Na decisão divulgada na quinta-feira (11), o Juiz Titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes, Wycliffe de Melo Couto admitiu a acusação dos réus, a que deve ser submetida ao tribunal do júri, nos crimes dolosos contra a vida. Quanto a essa decisão cabe recurso da defesa, e quanto aos réus, os mesmos continuarão respondendo o processo em liberdade.desta terça-feira (16), na localidade de Poço Gordo, na Baixada Campista. A polícia ainda não sabe a causa da morte.









