A disputa pelo governo do estado do Rio de Janeiro pode ser encerrada sem a necessidade de um segundo turno, garantindo a eleição de Douglas Ruas (PL). Esse cenário ganhou força após o Ministério Público Eleitoral (MPE) emitir um parecer favorável ao pedido do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) para desistir de um recurso que tramitava no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento, assinado pelo vice-procurador-Geral Eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, foi encaminhado ao ministro relator Floriano de Azevedo Marques um dia após a defesa de Garotinho oficializar a desistência.
Se o parecer for acolhido pela Justiça Eleitoral, todos os votos recebidos por Garotinho no pleito serão anulados. Essa mudança afeta diretamente o cálculo dos votos válidos e abre o caminho matemático para a vitória de Ruas em primeiro turno.
Embora o entendimento padrão do TSE seja proibir que um candidato desista de um recurso pós-eleição quando isso altera o resultado geral — já que a situação deixa de ser de interesse apenas do político e passa a envolver a decisão dos eleitores —, o MPE enxergou o cenário como uma exceção.
A justificativa da Procuradoria é pragmática: mesmo que o tribunal negasse o pedido de desistência e levasse a questão a julgamento, o próprio Ministério Público defenderia a rejeição do recurso. Na prática, a decisão que barrou o registro de candidatura de Garotinho seria mantida de qualquer maneira, o que já resultaria na anulação inevitável e definitiva dos votos dados ao ex-governador.







