O skate está presente no cotidiano da cidade de Campos há muitas décadas e já superou as barreiras de gênero, idade e classe social. Além disso, a pranchinha de madeira compensada com rodinhas de poliuretano é uma velha conhecida da cidade.
Matheus Saraiva, conhecido como Mocota, começou a andar de skate aos 13 anos. Coleciona diversos títulos, a exemplo o Natal Radical. Atualmente anda de skate por hobby, mas não descarta voltar a praticar a modalidade e representar marcas. “Skate, além de um esporte, é uma arte e estilo de vida.
Traz diversos benefícios, desde a higiene mental ao condicionamento físico. Quem não conhece pensa que só movimentamos as pernas, mas movimentamos também o quadril e os ombros.” Disse Matheus. Perguntado se é complicado ter uma regra formal de convívio, Saraiva respondeu: “Na minha visão, o mais apropriado é a regra universal do bom senso. A prefeitura deveria elaborar projetos de pistas novas e adequar áreas e terrenos ociosos para a prática do esporte. O Brasil já é uma potência mundial do skate e com mais incentivo poderia ser ainda maior. Em Campos praticamos na Pista do Cigano, mas a falta de estrutura atrapalha bastante, pois falta segurança e iluminação. Já fizemos diversas manifestações, houve algumas promessas, mas nada foi feito! O skate é diversão, locomoção, estilo de vida, uma forma de expressão e está ligado a prazer e liberdade”.
Recentemente tivemos o sucesso de Rayssa Leal. A Fadinha do Skate entrou para a história dos jogos olímpicos, não só por fazer parte do primeiro pódio do skate street em olimpíadas, mas também por ser a atleta brasileira mais jovem da história a conquistar uma medalha olímpica. Passado esse período, mesmo com a grande visibilidade que a modalidade voltou a ter, as dificuldades continuam. Infelizmente existe uma falsa impressão, o pré-conceito ainda predomina. O esporte é visto como marginalização. Perguntado sobre o que poderia ser feito para melhorar a relação entre skatistas e a cidade, Mocota respondeu: “Começaria com a manutenção das calçadas e vias públicas nos quatro cantos da cidade. Faria também a adaptação de praças públicas para prática do skate. Outra ação seria o fechamento de ruas nos finais de semana e pistas feitas por pessoas que conhecem e andam de skate. As poucas que temos são feitas com dinheiro público, projetadas por pessoas que não sabem nada sobre o assunto. Isso é um desperdício”.
Encerramos com mais um apelo aos governantes para que sejam realizados mais eventos esportivos politicamente corretos, associando a figura do skatista à figura de atleta, de campeão. Precisamos tirar os projetos do papel, fazer com que os skatistas sejam reconhecidos. Esse não reconhecimento, no qual é situacional, posto que os skatistas agenciam os vários sentidos do skate, é sinônimo de uma citadinidade propagada entre pares que considera a vivência de experiências urbanas, bem como rolês, busca por picos, sociabilidades, conflitos, subversão do uso de espaços, exercício da alteridade, etc.

*Mateus Chagas é bacharel em direito, gerente de contratos da W Seg Serviços e um entusiasta do esporte campista









